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Bebianno diz que indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada é ‘cara de pau’, ‘imoral’ e ‘perigosa’

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O ex-secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, concedeu entrevista à BBC News Brasil.

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Bebianno comentou sobre a indicação de Eduardo Bolsonaro para assumir a embaixada brasileira em Washington, nos Estados Unidos.

De acordo com ele, a decisão de Bolsonaro em indicar o filho é “cara de pau”.

“Eduardo, coitado, ele não tem a menor condição. Ele sequer sabe o papel de um embaixador. Ele não tem ideia. Eu convivi de perto com o Eduardo, ele não tem noções de negociação, é um garoto, um menino, um surfista que teve um mandato por causa do pai, na conquista do segundo mandato, mas é um rapaz completamente inexperiente. O nível acadêmico dele é bem iniciante, ele não tem condições”, disse.

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Demitido por Bolsonaro em fevereiro, ele conta que pretende voltar a advogar em breve.

Bebianno também confessou que flerta com a possibilidade de disputar a prefeitura do Rio de Janeiro em 2020.

“Há conversas em curso, mas eu tenho muito cuidado porque eu tinha abraçado com muita veemência a bandeira [Bolsonaro] na última eleição. Não me sinto hoje confortável pra me vincular a ninguém”, declarou.

Ainda sobre a indicação de Eduardo para a embaixada, ele também afirmou:

“Eu acho imoral essa indicação. Ela é péssima. Péssima e antiestratégica para o presidente. O presidente não está adotando uma postura de um estadista que tem que saber lidar com situações de dificuldade. Uma situação de dificuldade clássica é a negociação com outros países., os Estados Unidos são muito mais poderosos do que o Brasil, e tenho admiração enorme aos Estados Unidos, são um exemplo de nação, mas cada país olha pro seu interesse.

“A medida que o presidente coloca o filho dele à frente desse tipo de papel, quaisquer problemas entre Brasil e Estados Unidos, uma simples disputa interna perante a OMC, por exemplo, qualquer desavença vai cair direto no colo do presidente, o presidente vai tornar pessoais problemas que não teriam essa configuração.

O Brasil perde com essa indicação. O presidente tem na cabeça dele uma visão até meio parecida com o Lula, uma coisa coisa personalista demais, ‘ah, o Trump é meu amigo’. O Trump não é amigo dele, o Trump é presidente dos Estados Unidos. É antiestratégico e perigoso para o presidente esse tipo de medida”, finalizou.


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