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Janja serve paca a Lula, garante legalidade, mas Planalto não documenta origem

Primeira-dama publicou vídeo com preparo do roedor silvestre e elogio do presidente; questionada nas redes, afirmou que carne veio de “produtor legalizado”, sem apresentar provas. A caça e captura da espécie são crime ambiental com pena de até um ano.

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A primeira-dama Janja Lula da Silva preparou carne de paca para o almoço de Páscoa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Conexão Política foi o primeiro veículo a reportar o fato.

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O prato foi servido no domingo (5), e o preparo foi compartilhado por Janja em vídeo publicado em seu perfil no Instagram. Após internautas questionarem nos comentários a procedência da carne, Janja afirmou que foi “presente de um produtor legalizado”.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

No vídeo, Janja detalhou o preparo. A carne ficou dois dias no tempero com alho, tempero verde e ervas. “Carne de caça pede erva”, disse a primeira-dama. Ao final, o presidente elogiou o prato.

“Eu acabei de comer a paca. Duvido que em algum lugar do país alguém já comeu uma paca tão gostosa como essa que eu comi hoje. Divina. Parabéns, Janjinha.” Janja respondeu: “Me chama, Ana Maria Braga.”

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A caça de paca é proibida no Brasil. A Lei nº 5.197/1967, de Proteção à Fauna, proíbe expressamente a caça, captura, morte e utilização de animais silvestres nativos, exceto em casos específicos e com autorização do Ibama.

O artigo 29 da Lei nº 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais, tipifica a caça de animais silvestres como crime, com pena de detenção de seis meses a um ano mais multa.

Se for para fins comerciais ou com uso de armadilhas, a pena pode ser aumentada. A comercialização é permitida apenas quando o produto provém de criadouros autorizados pelo Ibama.

Em resposta às críticas nas redes sociais, Janja acrescentou comentário à publicação: “Ei, pessoal! A carne foi presente de um produtor legalizado. Hoje mesmo vimos no Globo Rural uma reportagem sobre a criação de pacas. Desde que proveniente de criadouros autorizados pelo Ibama, a carne de paca pode ser comercializada em nosso país.”

O Planalto, porém, não apresentou qualquer documentação que comprove a origem legal do animal consumido pelo presidente.

É vedada também a caça da Paca pelo Ibama e há poucos criadores legalizados no Brasil, o que eleva o valor da carne. O preço médio praticado varia entre R$ 80 e R$ 150 por quilo, podendo chegar a R$ 300 dependendo da região, e a carne costuma ser encontrada em restaurantes de luxo com pratos que chegam a R$ 400.

A iguaria respinga na promessa de campanha de 2022, quando Lula disse que o povo voltaria a comer picanha.

A oposição não perdeu a abertura. A seis meses das eleições, parlamentares e influenciadores do campo bolsonarista associaram o vídeo à promessa da picanha e ao custo elevado do alimento, argumentando que o casal presidencial consome uma iguaria cara enquanto parte da população enfrenta dificuldades para adquirir produtos básicos.

No vídeo publicado por Janja, aparecem apenas o presidente, a primeira-dama e as cadelas do casal. A pessoa responsável pela filmagem não foi identificada.

A Secom foi procurada para prestar mais informações. Não houve resposta até a publicação da reportagem.

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