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Cavagna Group faz de Valinhos base para crescer na América Latina e investe mais de R$ 40 milhões no Brasil

Multinacional italiana expande unidade em Valinhos, no interior de São Paulo, onde concentra parte das atividades de armazenagem e distribuição; companhia também amplia atuação em saúde após integração com a GasLive.

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A italiana Cavagna Group ampliou seus investimentos no Brasil com um aporte superior a R$ 40 milhões em Valinhos, no interior de São Paulo. Os recursos foram destinados à expansão da estrutura da companhia, que ganhou mais de 5 mil m² para armazenagem e operação. O novo eixo da multinacional no mercado brasileiro aumenta a capacidade de atendimento da unidade e também foi projetada para comportar a operação nos próximos anos, incluindo a admissão do quadro de funcionários. A Cavagna mantém 68 empregos diretos em Valinhos e gera mais de 30 postos de trabalho indiretos. A companhia atua na produção de equipamentos e sistemas para controle, regulação, medição e armazenamento de gases.

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A aplicação abre o leque das atividades da Cavagna no país. Além dos segmentos nos quais já atuava, como gases combustíveis, industriais e medicinais, a companhia incorporou à sua estrutura a GasLive, empresa brasileira voltada a equipamentos médicos e cuidados respiratórios. A integração aumentou o número de produtos oferecidos no mercado nacional e aproximou a subsidiária brasileira de outras áreas de negócios do grupo. A cidade de Valinhos, escolha a dedo para essa nova frente, fica próxima a Campinas e tem acesso a corredores rodoviários utilizados para o transporte de cargas entre o interior paulista, a região metropolitana de São Paulo e outros estados. A Cavagna também cita o ambiente industrial e a disponibilidade de mão de obra como fatores considerados para a manutenção e a ampliação das atividades no município.

A empresa pretende utilizar a estrutura para atender o mercado brasileiro e dar suporte às atividades comerciais e logísticas relacionadas à América Latina. O aumento da área de armazenagem permite manter um volume maior de produtos no país e acompanha a diversificação do portfólio ocorrida nos últimos anos.

Foto: Divulgação/Cavagna

Fundação na Itália

A Cavagna foi fundada em 1949 no norte da Itália, nas proximidades de Brescia, região com tradição na indústria metalúrgica. A empresa começou produzindo componentes relacionados ao controle de gases e posteriormente ampliou a atuação por meio da criação de unidades industriais, desenvolvimento de produtos e aquisição de outras companhias. Segundo dados institucionais do grupo, a empresa emprega cerca de 1.100 pessoas e possui 18 unidades produtivas e empresas na Itália e em outros países. Sua rede de vendas e distribuição atende mais de 150 mercados.

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A expansão internacional ocorreu de forma gradual e foi acompanhada pela entrada em diferentes segmentos relacionados ao uso de gases. A companhia deixou de se concentrar apenas em válvulas e reguladores de GLP e passou a produzir equipamentos para gás natural, gases comprimidos, medição, aplicações industriais e combustíveis alternativos. Parte do processo foi realizada por aquisições. A cronologia da companhia registra compras e associações com empresas na Europa, Ásia, América Latina e África, utilizadas para incorporar tecnologias ou ampliar a presença comercial em determinados mercados.

No início dos anos 2000, o grupo estabeleceu uma fábrica de reguladores de GLP e gás natural na China. Em seguida, adquiriu a chilena CEMCO, fabricante de válvulas e reguladores de pressão para GLP. A investida continuou com operações envolvendo empresas francesas, indianas, italianas, turcas e sul-africanas. A frente provio em uma estrutura na qual diferentes empresas do grupo atendem etapas distintas da cadeia de gases.

Seis áreas de atuação

Foto: Divulgação/Cavagna

A Cavagna organiza seus negócios em seis divisões: gás liquefeito, gás natural, gases comprimidos, combustíveis alternativos, medição de gases e gerenciamento de processos industriais. Os produtos são utilizados em atividades que vão da distribuição residencial de gás a sistemas industriais e hospitalares. Na divisão de gás liquefeito, a empresa produz equipamentos destinados ao controle e à regulação de GLP em diferentes etapas, do processamento e armazenamento ao uso pelo consumidor, que é um dos segmentos mais antigos da companhia sob atividades desenvolvidas desde sua fundação. No gás natural, a produção inclui equipamentos utilizados no transporte e nas redes primária e secundária de distribuição, além de dispositivos destinados a clientes industriais, comerciais e residenciais. Os sistemas podem trabalhar com gás natural, biometano e misturas de gases.

Outra divisão é dedicada aos gases comprimidos. A companhia atende tanto aplicações industriais quanto atividades que exigem gases de maior pureza. Há equipamentos para gases medicinais utilizados em sistemas de oxigênio hospitalar e domiciliar, gases empregados em laboratórios de pesquisa e misturas utilizadas em aparelhos respiratórios. Na indústria, os produtos são empregados, entre outras aplicações, em soldagem e corte de metais.

A área de medição inclui equipamentos para redes de gás natural e GLP. O portfólio abrange medidores mecânicos e sistemas digitais e ultrassônicos, alguns deles com capacidade de transmissão remota de informações. Já a divisão de gerenciamento de processos industriais atua em projetos para empresas de energia, petróleo e gás. Os serviços incluem engenharia, elaboração de projetos, gestão, aquisição de equipamentos, acompanhamento de construção e montagem, comissionamento e inspeções em campo. A sexta área é voltada aos combustíveis alternativos para transporte e tem sistemas relacionados a gás natural comprimido, hidrogênio, biometano, GLP, DME renovável, biogás e GNL.

Integração com a GasLive somando em saúde

Foto: Divulgacão/Cavagna

A operação brasileira passou por outra mudança com a integração da GasLive ao grupo. Fundada no Brasil em 2012, a empresa atua no mercado de cuidados respiratórios e mantém produtos concernentes à oxigenoterapia, ventilação e medicina do sono. A incorporação ortogou à Cavagna ampliar o exercício no setor médico para além dos componentes tradicionalmente utilizados no controle de gases medicinais. A oferta passou a incluir equipamentos voltados diretamente a tratamentos respiratórios e ao acompanhamento de pacientes. No material fornecido pela empresa, a integração é apresentada como item da expansão do portfólio brasileiro com soluções para gases combustíveis e industriais, gases medicinais, equipamentos médicos e sistemas de regulação e controle.

Já neste ano de 2026, a GasLive também passou a ser utilizada pelo grupo como marca de sua linha de produtos de saúde. A mudança elevou o alcance da marca brasileira dentro da estrutura internacional da Cavagna e reuniu sob a mesma identificação produtos ligados a terapia respiratória, oxigenoterapia e medicina do sono. A integração também tem efeitos sobre a operação de Valinhos. O aumento do número de linhas comercializadas vai de encontro às necessidades de armazenagem, distribuição e atendimento, que são atividades entre as funções da estrutura ampliada no município.

Equipamentos conectados entre os investimentos

Foto: Divulgação/Cavagna

Paralelamente à expansão do portfólio, a Cavagna passou a incorporar recursos digitais a equipamentos tradicionalmente mecânicos. A companhia desenvolve sistemas com Internet das Coisas (IoT) que permitem coletar e transmitir informações produzidas por dispositivos utilizados no controle de gases. Os investimentos mais recentes em pesquisa e desenvolvimento incluem controle digital de válvulas e reguladores de pressão e a incorporação de conectividade a esses equipamentos. Entre os produtos citados pela empresa está a Viproxy i-1Touch, uma válvula voltada a aplicações médicas que permite o gerenciamento digital de dados e pode transmitir informações por meio de IoT. O equipamento foi desenvolvido para permitir que a conectividade seja incorporada também posteriormente, de acordo com a necessidade do cliente.

A companhia possui ainda uma plataforma chamada OTUS, utilizada para reunir e monitorar dados provenientes de equipamentos conectados. A empresa trabalha com equipes de engenharia de clientes no desenvolvimento de produtos específicos e na adaptação de sistemas a diferentes usos. Entre as soluções desenvolvidas estão equipamentos que integram válvulas e reguladores de pressão.

Hidrogênio e biometano nos projetos de pesquisa

Foto: Divulgação/Cavagna

Outra parte dos investimentos se deu em mudanças no setor de energia, com projetos envolvendo biogás, GLP renovável, DME renovável e hidrogênio, além das atividades já mantidas com gás natural e GLP. A empresa desenvolveu reguladores certificados para operar com o combustível. Também há projetos relacionados a medição e aplicações automotivas, incluindo tecnologias destinadas a células a combustível. Com parte infraestrutura existente, a Cavagna mira também eventual distribuição de misturas de hidrogênio e gás natural. Isso exigiria que componentes utilizados nas redes sejam compatíveis com as novas composições, o que aproxima esse mercado das atividades que a Cavagna já desenvolve com reguladores, válvulas e medidores. O grupo também participa de projetos relacionados a biometano e outros gases produzidos a partir de fontes renováveis.

Aquisições e presença em engenharia e medição

A Cavagna têm utilizado aquisições para entrar em segmentos complementares. Um dos pontos é a REPCo, empresa voltada a projetos e equipamentos para energia, petróleo e gás. A companhia atua no fornecimento, instalação, início de operação e atendimento pós-venda de equipamentos e possui competências em engenharia mecânica e elétrica, instrumentação e controle. Outras operações foram direcionadas ao mercado de medição. A história do grupo registra, por exemplo, a aquisição da Qgas, fabricante italiana de medidores de diafragma para gás natural e GLP, e a criação da Mesura Metering, voltada a medidores mecânicos e ultrassônicos.

A política de aquisições tem o modelo de produção verticalizada adotado pela empresa, como mantimento de controle sobre etapas que vão da engenharia ao teste final dos produtos, em vez de concentrar as atividades apenas na montagem ou distribuição. O modelo permite compartilhar tecnologias entre empresas incorporadas ao longo dos anos. Uma aquisição pode adicionar uma linha de produtos ao grupo e, ao mesmo tempo, fornecer conhecimento utilizado por outras divisões.

Operação de Valinhos expande o portfólio

Foto: Divulgação/Cavagna

A unidade de Valinhos passou por uma ampliação em meio à reorganização das atividades do grupo e à incorporação de novas frentes ao portfólio. No local, estão concentradas atividades de armazenagem e operação e será utilizada para atender clientes em diferentes regiões do país. A localização no interior de São Paulo permite acesso à infraestrutura rodoviária utilizada na distribuição nacional e mantém a empresa próxima de uma região com concentração de atividades industriais. De acordo com a companhia, o investimento também busca aumentar a disponibilidade de produtos e a eficiência da distribuição.

O número de produtos administrados no Brasil aumentou à medida que a companhia abriu a atuação nos mercados industrial, hospitalar e de energia e integrou a GasLive à operação. A mudança recaiu sobre as áreas destinadas ao armazenamento e à distribuição. Segundo a empresa, novas ampliações e contratações estão previstas caso o crescimento se mantenha.

“O investimento é mais do que a ampliação da nossa capacidade operacional. A Cavagna Group conta com a confiança do mercado brasileiro e tem importância em Valinhos, como um polo estratégico para sustentar o crescimento das nossas operações e atender nossos clientes com ainda mais eficiência”, afirma Ricardo Manara, diretor da companhia.

Investimento no interior paulista

Foto: Divulgação/Cavagna

Os mais de R$ 40 milhões colocados pela Cavagna em Valinhos se dão mesmo diante de um país sob crise. A multinacional italiana decidiu fazer justamente o contrário, para ampliar a estrutura, aumentar a capacidade da operação e preparar a unidade para crescer nos próximos anos.

Além dos empregos e do dinheiro que circula na cadeia de fornecedores e serviços da região de Valinhos, a cidade entra oficialmente no espaço maior dos planos da companhia que está presente em mais de 150 mercados, sob amparado de um estrutura brasileira que também mira negócios na América Latina.

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