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Mensagens, encontros e contratos: o que o relatório da PF revela sobre a relação entre Vorcaro e Moraes

Documento tornado público reúne conversas do banqueiro antes da prisão, registros de encontros com o ministro, pedidos envolvendo integrantes da cúpula da PF e da PGR e detalhes de contratos com o escritório da família de Moraes.

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A retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal colocou em um mesmo documento informações que, até então, apareciam de forma fragmentada sobre a relação entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O material reúne mensagens, registros de encontros, documentos contratuais e metadados extraídos do celular do banqueiro.

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O relatório foi produzido após determinação do ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master no STF. A PF analisou um dos aparelhos apreendidos com Vorcaro e identificou comunicações com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, além de referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

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Foto: Marcelo Camargo/ABr

 

Parte das mensagens recuperadas foi enviada por um método incomum. Vorcaro escrevia textos no bloco de notas do celular, fazia capturas de tela e encaminhava as imagens pelo WhatsApp com visualização única. A perícia conseguiu recuperar conteúdos enviados pelo banqueiro, mas diversas respostas do interlocutor não ficaram armazenadas. 

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Há trechos nos quais a PF atribui diretamente a interlocução a Moraes e outros em que os investigadores trabalham com elementos que indicariam o ministro como destinatário. O documento também não demonstra, por si só, que todos os pedidos feitos por Vorcaro tenham sido atendidos. 

Encontros e mensagens antes da prisão

As informações analisadas pela PF indicam pelo menos seis encontros entre Vorcaro e Moraes. A aproximação remonta ao fim de 2023 e teve participação do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, que repassou ao banqueiro um número atribuído ao magistrado. 

As comunicações, conforme os investigadores, continuaram enquanto o Banco Master enfrentava problemas e Vorcaro acompanhava o avanço das apurações que culminariam em sua prisão.

Em uma das mensagens, enviada dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. A PF relacionou a mensagem ao contato atribuído a Moraes. Posteriormente, no dia da prisão, o banqueiro também perguntou se havia alguma novidade e se o interlocutor tinha conseguido obter informações ou “bloquear” algo. 

Vorcaro foi preso em novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar em um voo particular para Dubai.

O relatório também contém uma mensagem em que o banqueiro pede que seu interlocutor reforce uma atuação com “Andrei e Paulo”. Para os investigadores, os nomes fazem referência a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. O documento divulgado, porém, não comprova que os dois tenham atendido a qualquer solicitação de Vorcaro. 

Contrato milionário com escritório de Viviane Barci de Moraes

Outra frente do relatório trata da relação comercial entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, que tem entre seus integrantes Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

O principal contrato tinha valor total próximo de R$ 131 milhões e foi firmado no início de 2024. A PF identificou, nos metadados de uma minuta localizada no aparelho de Vorcaro, que a última modificação do documento havia sido feita por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. 

O escritório afirmou que Moraes foi consultado, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar a existência de eventuais impedimentos legais à contratação, inclusive processos envolvendo o Master que pudessem estar sob relatoria do ministro. O acordo permaneceu em vigor até a liquidação do banco, em novembro de 2025. 

Mensagens encontradas pela PF também registram preocupação de Vorcaro com atrasos nos pagamentos ao escritório. Em março de 2024, o banqueiro cobrou providências para a realização de um pagamento de R$ 3,4 milhões. 

A PF ainda encontrou documentos relativos a uma segunda proposta, estimada em R$ 50 milhões. A minuta previa R$ 40 milhões por meio da transferência de cotas de um avião Legacy 650 e de um helicóptero, além de R$ 10 milhões referentes a despesas relacionadas aos voos. 

O escritório de Viviane afirma que essa segunda proposta não foi aceita e que nenhum novo contrato foi assinado. Segundo a banca, existiu apenas o acordo original, encerrado após a liquidação do Master. 

PF recuperou mensagens enviadas por Vorcaro

Um dos limites da investigação está justamente na forma como as conversas eram mantidas. A PF conseguiu recuperar dezenas de mensagens enviadas por Vorcaro, mas não teve acesso a parte correspondente das respostas atribuídas ao ministro.

Nesta quarta-feira (2), também veio a público que Moraes trocou celular, chip e número de telefone na segunda semana de fevereiro de 2026, quando a PF já analisava aparelhos apreendidos de Vorcaro. A informação, isoladamente, não demonstra que a substituição tenha relação com a investigação. 

Moraes já havia negado anteriormente ter recebido parte de mensagens que haviam sido atribuídas a ele e classificou como “ilação mentirosa” a associação de seu nome a determinados diálogos. Até a divulgação do novo conjunto de informações, o ministro não havia apresentado manifestação específica sobre todos os elementos revelados no relatório. 

O destino desse material passou agora ao próprio Supremo. Mendonça decidiu levar ao plenário a discussão sobre eventual aprofundamento das apurações. A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, contesta a forma como o relatório foi produzido e pede sua nulidade. 

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