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Garotas de programa e até drogas; como eram festas com Vorcaro e autoridades

Remoção de sigilo revela como o banqueiro do Master usava mulheres e luxo para se aproximar de poderosos da República.

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Informações extraídas pela Polícia Federal (PF) dos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontam que o banqueiro promovia festas particulares de luxo com a presença de autoridades, empresários e outras personalidades. Segundo os investigadores, diversas mulheres eram levadas aos eventos como parte de uma estratégia usada para agradar os convidados.

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As conversas analisadas pela PF mencionam a contratação de garotas de programa, apresentações de cantores e DJs e grande quantidade de bebidas alcoólicas. Os registros citam festas realizadas em uma embarcação de luxo em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e também eventos organizados em casas noturnas de São Paulo.

Foto: Reprodução

Uma dessas festas teria ocorrido em outubro de 2023, na boate Madame Satã, na Bela Vista, em São Paulo. O evento tinha temática de Halloween e contou com apresentações de artistas conhecidos da música eletrônica. Segundo informações detalhadas pela revista Piauí, os shows começaram por volta das 20h30 e seguiram até as 7h do dia seguinte.

Entre os convidados estava o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, que confirmou à Piauí que distribuiu convites para o evento. “A pedido do anfitrião, transmitiu convites a amigos em comum para um evento privado. Sua participação se limitou a isso”, disse ele.

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Relatório da PF, porém, aponta que Faria também teria ficado responsável pela seleção dos convidados. Procurado pelo jornal O Estado de S. Paulo, ele não quis se manifestar sobre essa informação. A casa noturna, por sua vez, afirmou que apenas alugou o espaço para uma agência responsável pela produção da festa e negou contato direto com Vorcaro. “O espaço foi estritamente locado para uma agência/produtora de eventos terceirizada, mediante contrato formal de prestação de serviços de locação de infraestrutura. Não houve contratação ou negociação direta entre a administração do clube e a pessoa física mencionada nas reportagens recentes”, afirmou.

Na época, imagens da festa circularam nas redes sociais e chamaram atenção pela estrutura montada no local, pela presença de artistas conhecidos e pelo fechamento de uma das casas noturnas mais tradicionais de São Paulo. Segundo os registros, o evento também teria contado com a presença de mulheres estrangeiras, sendo a maioria suíças.

A PF também encontrou informações sobre festas organizadas por Vorcaro em Angra dos Reis. O banqueiro seria proprietário de uma residência na Ilha do Jorge e, segundo a investigação, promovia encontros em uma embarcação de alto padrão, com a participação de personalidades e garotas de programa.

O comandante da embarcação, Luís Felipe Woyceichosk, relatou à PF detalhes sobre esses eventos. Segundo ele, Vorcaro também era dono da empresa de jatinhos Prime You, cuja diretora seria responsável por levar mulheres para as festas. O marinheiro afirmou ainda que era responsável pelo iate utilizado pelo banqueiro.

“Daniel Vorcaro produzia grandes festas no barco, regadas a bebidas, drogas e garotas de programa, estas agenciadas (trazidas) por diretora de Operações da PRIME YOU, com a presença de personalidades”, afirma o relatório da PF.

Os eventos privados ligados a Vorcaro já haviam aparecido nas investigações em novembro do ano passado. Na ocasião, a primeira leva de mensagens extraídas do celular do banqueiro revelou a realização do chamado “Cine Trancoso”, na mansão dele em Trancoso, na Bahia. O nome fazia referência ao circuito interno de câmeras que teria registrado imagens de autoridades e outras figuras públicas durante os encontros.

A divulgação dessas informações ocorre após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do Caso Master, retirar o sigilo de parte dos documentos da investigação na noite da última quinta-feira (10). A medida foi determinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, que atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Nesta sexta-feira (11), Fachin determinou ainda que os documentos restantes sejam liberados em até 24 horas, ampliando o acesso ao material reunido durante a investigação.

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