A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte reação negativa no mercado financeiro. Ao longo da semana, Bolsa, dólar e juros futuros registraram algumas das maiores oscilações negativas de 2026, em um movimento que reverteu parte dos ganhos acumulados antes do segundo turno.
O Ibovespa, que chegou a alcançar a marca histórica de 200 mil pontos neste mês, caiu 17,5% na semana e fechou outubro com perda de 9,21%. Levantamento da Elos Ayta, com base em dados da B3, aponta que o recuo semanal foi o quinto maior desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Foi também a maior queda desde a semana encerrada em 20 de março de 2020, quando o índice perdeu 18,88% em meio ao início da pandemia de coronavírus.

O dólar também teve uma semana de forte valorização. A moeda americana subiu 9,18%, maior alta semanal do ano. Considerando o resultado acumulado em outubro até esta sexta-feira (30), o avanço chegou a 5,31%, também o maior ganho mensal de 2026 em relação ao real.
Os juros futuros acompanharam o movimento. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2031 passou de 12,64% na última sexta-feira (23) para 15,3%, uma alta de 2,66 pontos percentuais. Essas taxas indicam as expectativas dos investidores para os juros nos próximos anos.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppA reação mais intensa ocorreu na segunda (26), primeiro pregão após a vitória de Lula. O Ibovespa despencou 13,88% e encerrou o dia aos 176.608 pontos, na maior queda diária desde 16 de março de 2020. A dimensão do recuo levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações diante de movimentos muito fortes de baixa.
Naquele mesmo dia, o dólar teve sua maior valorização diária desde 1999, enquanto os juros futuros avançaram mais de 2 pontos percentuais. O resultado reverteu parte da alta registrada nas semanas anteriores à eleição, período em que investidores apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e na adoção de medidas mais rigorosas de ajuste fiscal. Após o primeiro turno, por exemplo, investidores estrangeiros haviam colocado R$ 10,6 bilhões na Bolsa brasileira.
A vitória de Lula aumentou as preocupações do mercado sobre a condução das contas públicas e a possibilidade de continuidade de uma política fiscal expansionista. Esse cenário pode aumentar o risco percebido pelos investidores, que passam a exigir juros maiores para financiar o governo. Com taxas mais elevadas, o crédito fica mais caro para empresas e consumidores, o que também pode afetar os resultados das companhias e o desempenho das ações.