A rapidez do Paraguai em lidar com a crise do Ueno Bank é pauta do Jornal O Globo desta sexta-feira, que sublinha que o caso chegou à Presidência do Paraguai. Em uma reportagem sobre a sequência dos acontecimentos, o veículo menciona que Santiago Peña perdeu o apoio do próprio partido e anunciou sua renúncia “em apenas dois dias” após a intervenção bancária.
A cronologia começa na terça-feira (3), quando o Banco Central anunciou a intervenção após identificar que o índice de solvência do Ueno havia caído abaixo da metade do mínimo exigido. No mesmo dia, o Ministério Público ordenou a detenção de oito dirigentes e Carlos Carvallo, que havia presidido a financeira antes de assumir o órgão regulador, apresentou sua renúncia ao Banco Central.

Na quarta-feira (4), a resposta alcançou a legislação de proteção aos depositantes. O Congresso aprovou uma mudança, promulgada pelo Executivo, para antecipar recursos do Fundo de Garantia de Depósitos. Pelas regras divulgadas pelo Banco Central, o procedimento prevê até 40 salários mínimos por cliente, descontadas as dívidas vencidas, com início em 24 horas e conclusão em até cinco dias úteis.
A investigação também resultou em medidas para preservar patrimônio e restringir a liberdade dos acusados. Na quinta-feira (5), a Justiça decretou prisão preventiva para seis dirigentes e prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico, para outras duas investigadas. O economista Jorge Schreiner, ex-diretor do Banco Central, elogiou o bloqueio de bens e o rastreamento do dinheiro, apontando essas providências como avanços em relação às crises bancárias dos anos 1990.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppNo campo político, a pressão incluiu integrantes do governo. Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado e padrinho político de Peña, anunciou apoio ao impeachment. Ao apresentar sua renúncia, Peña pediu desculpas à população e afirmou que buscava preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. Também defendeu a devolução dos recursos aos poupadores.