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Por 30 anos, experimento em Berlim deu órfãos a pedófilos com a aprovação do Senado alemão

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Parece uma ideia bizarra: abrigar crianças sem teto com pedófilos. No entanto, isso aconteceu na capital alemã de Berlim por quase 30 anos, e com a aprovação e o apoio do Senado. O escândalo foi revelado por um estudo da Universidade de Hildesheim.

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“Nossas vidas foram destruídas”, disse Marco à Deutsche Welle. Marco era um dos órfãos que quando criança recebeu abrigo de Fritz H., um homem com um passado criminoso perturbador. Ele foi abusado sexualmente por Fritz H. por anos.

O caso de Marco é resultado de um projeto macabro de um psicólogo alemão chamado Helmut Kentler.

“Pedófilos são pais amorosos”

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Esse projeto concebido por Helmut Kentler foi criado em 1969. Segundo Kentler, os pedófilos são “pais muito, muito amorosos” e “tantas crianças de rua em Berlim Ocidental conseguiram um novo lar”.

Helmut Kentler. © WYSS CENTER

Kentler nasceu em Colônia, em 1928. Depois de seus dias de estudante, ele partiu para Berlim. Lá, ele foi designado para um cargo de alto nível no Centro de Educação de Berlim. Ele também era psicólogo e sexólogo. Ele era notável por sua postura “sensível” em relação à pedofilia. Ele estava convencido de que “o sexo entre adultos e crianças é inofensivo” porque “as crianças também são seres sexuais que têm o direito de experimentar sua sexualidade”.

Kentler era respeitado em seu meio. Por um longo tempo, ele foi considerado um dos sexólogos mais importantes da Alemanha. Seus livros venderam bem e ele era sempre bem-vindo na televisão e rádios da Alemanha. Além disso, muitos alemães da época se rebelaram contra os padrões e valores morais. Como resultado, o sexo com crianças se tornou “negociável” para muitos.

Kentler conseguiu convencer vários vereadores para aprovar seu projeto pró-pedofilia. Ele explicou o projeto como uma situação de “ganho mútuo”: as crianças descobriram sua sexualidade e os pais adotivos demonstraram seu “amor” pelas crianças.

O projeto permaneceu por 30 anos. O alemão com um passado criminoso e sombrio, Fritz H., tornou-se pai adotivo de não menos do que dez meninos de rua. Um deles foi Sven, que ficou com ele por anos.

“Você realmente nunca supera isso”, disse Sven.

Marco e Sven tinham cerca de 9 anos de idade quando chegaram à casa de Fritz H.. Atualmente, eles estão na casa dos 40, mas ainda percebem as sequelas dos abusos sofridos na infância. Eles continuam a sentir a dor e ambos tiveram vários problemas ao longo de suas vidas.

As autoridades não intervieram
O que aumenta a dor é que, segundo a pesquisa da Universidade de Hildesheim, as autoridades de Berlim não proibiram a barbárie, além de aprovarem o projeto macabro de Kentler. Mesmo quando souberam de sinais de abuso das crianças, elas não intervieram.

A partir de entrevistas e documentos que os pesquisadores viram, parece que havia uma rede inteira de pedofilia que incluía muitas instalações acadêmicas e autoridades. Muitos dos pedófilos para os quais as crianças foram enviadas eram homens solteiros, geralmente com um trabalho influente em universidades.

A política Sandra Scheeres, que faz parte da Câmara Municipal de Berlim, é a responsável pela apuração do projeto Kentler. Ela chama o ocorrido de “inimaginável”. Scheeres prometeu uma compensação às vítimas do projeto.

No entanto, levar os autores dos abusos à justiça é, em muitos casos, impossível. Os protagonistas Helmut Kentler e Fritz H. já morreram, e um processo judicial contra aqueles que ainda estão vivos não é mais permitido, pois o prazo em que esses possíveis processos poderiam ter sido iniciados prescreveu. Portanto, nenhuma investigação será conduzida e as vítimas continuaram desamparadas pela Justiça.

Leia também: A barbárie cometida pela esquerda contra as crianças da Alemanha na década de 60

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