ver tudo
Menu Análise
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Flávio Bolsonaro precisa se portar como senador; chega de agir apenas como filho do presidente

"Saia da sombra do seu pai e escreva a sua história. Exerça a independência do seu cargo que a Constituição Federal lhe garante e que o povo espera"; leia o questionamento do colunista Marcos Rocha

PUBLICIDADE
Adicione o Conexão Política como sua fonte preferidaAdicione o Conexão como fonte preferida

Após os atos de censura e cerceamento da liberdade de expressão emanados pelo STF, a CPI da Lava Toga ganhou novo fôlego no Senado Federal. Na semana passada, a comissão que pretendia investigar o ativismo judicial nos tribunais superiores sofreu sua primeira derrota na CCJ. No entanto, com as recentes decisões do Supremo — que determinaram a remoção de reportagens envolvendo o presidente da Corte — o tema voltou a ganhar força em Brasília.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Diante desse cenário, muito tem se cobrado quanto ao posicionamento do senador fluminense Flávio Bolsonaro sobre o assunto.

Há cerca de um mês, publiquei uma breve análise sobre a conduta do parlamentar. Na ocasião, os senadores favoráveis à instalação da CPI da Lava Toga estavam recolhendo assinaturas para protocolar o pedido. Flávio foi o único senador do PSL que não assinou o requerimento.

Os eleitores mais aguerridos — que muitas vezes sacrificam a razão em nome das paixões políticas — tentaram justificar a omissão a todo custo. Ouvi de tudo: justificativas rasas, acusações absurdas. Fui chamado de “comunista” e até de “infiltrado”. O único comentário minimamente sensato que recebi mencionava uma suposta vedação regimental, alegando que membros da Mesa Diretora do Senado estariam impedidos de assinar requerimentos de CPI.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsApp

No mesmo dia, liguei para o Senado Federal e conversei com técnicos da Secretaria-Geral da Mesa. A resposta foi clara: não existe qualquer impedimento regimental que proíba os integrantes da Mesa Diretora de apoiarem a criação de comissões parlamentares de inquérito.

Hoje, terça-feira (16), o senador finalmente se pronunciou, de forma mais clara, sobre o requerimento. Até então, não havia apresentado nenhuma opinião concreta em relação ao tema.

Não me surpreendi com sua justificativa, mas foi vergonhoso ouvi-lo alegar que é “filho do presidente” e que sua assinatura poderia gerar interpretações equivocadas, como se representasse a vontade do Poder Executivo.

Ora, senador, não há nexo causal entre uma coisa e outra.

Primeiro, porque o senhor foi eleito e possui total legitimidade — principalmente constitucional — para exercer seu mandato com independência, desvinculado da figura do presidente da República, ainda que este seja seu pai.

Se esse for realmente o motivo de sua omissão, talvez devesse renunciar ao mandato. Afinal, com esse argumento, qualquer ação sua poderia ser interpretada como uma manifestação do Executivo. O Rio de Janeiro e o Brasil não precisam de um senador figurativo.

Saia da sombra do seu pai e escreva sua própria história. Exerça, com coragem, a independência que seu cargo exige — e que a Constituição lhe assegura. O povo espera isso.

A população fluminense, exausta de conviver com a corrupção que assola o Estado, merece uma postura mais firme e coerente do senador Flávio Bolsonaro.

O Senado é hoje a única instituição com força para frear os abusos do STF. E já passou da hora de mostrar pulso firme.

 

Mais do Conexão

Veja mais

Mais lidas

  1. Análise Uber, iFood e YouTube: o trio de bilionários que faz o que Brasília não faz
  2. Análise Quando o povo é o inimigo: a retórica perigosa do Supremo
  3. Análise Taiwan: uma ilha de liberdade e tecnologia no coração da Ásia
  4. Análise Os 80 anos do primeiro ataque da FEB a Monte Castello