Conecte-se conosco

Coluna

COLUNA: Falsos democratas e o analfabetismo funcional brasileiro

Publicado

em

Reprodução

A defesa da democracia virou o mantra mais utilizado pela esquerda brasileira e suas extensões para justificar o expurgo do conservadorismo da vida pública. Usando o paradoxo da tolerância como pretexto para calar e perseguir quem esteja um pouquinho à direita no espectro político, o establishment põe uma mordaça nos que falam pela maioria esmagadora do povo brasileiro. Os resultados das pesquisas de opinião sobre temas como aborto, drogas e casamento gay atestam facilmente esse diagnóstico.

Calar quem é porta-voz daquilo que é caro para a maioria da população é antidemocrático no mais alto grau. Mas os donos do poder não se importam com isso. A mesma esquerda que aponta o dedo para os ditos filhotes da ditadura e grita por democracia é a mesma a apoiar censura, perseguição e até mesmo apologia ao assassinato de conservadores. Ou alguém esqueceu as homenagens de políticos do PSOL e do PCdoB a Carlos Marighella? Ter como ídolo um terrorista que trabalhou por uma ditadura comunista não parece ser modus operandi de um democrata apaixonado, não é mesmo?

O ponto é este: a esquerda não tem nada de democrata. As raízes intelectuais que a moldaram são incompatíveis com qualquer forma de convivência democrática. Isso é bastante evidente tanto na intelectualidade quanto no campo político.

A esquerda tem em Karl Marx e no socialismo marxista um norte histórico. Ora, para os marxistas a democracia era um regime burguês que institucionalizava a opressão de uma classe pela outra – no caso a da burguesia pelo proletariado. Tal regime – a democracia liberal do século XIX – deveria ser extinto e o socialismo como modelo político era o passo seguinte na consolidação do paraíso comunista. Não custa nada lembrar que inúmeros partidos comunistas sobreviveram na ilegalidade em terras ocidentais justamente pelo caráter marginal da causa: o ‘’nosso’’ PCB não me deixa mentir. Democracia e comunismo são como água e óleo.

Se o comunismo quer abolir a democracia rumo ao totalitarismo comunista, a new left progressista não almeja menos. Para os progressistas a sociedade é injusta e opressora, divida em classes privilegiadas e oprimidas, sendo o regime democrático uma expressão fiel desse quadro. É necessário então aumentar o tamanho do Estado para dar maior poder a ele no sentido de fazer da sua atuação um instrumento a corrigir as desigualdades existentes até que se alcance a tão sonhada igualdade total. Com o desenvolvimento natural desse quadro, desagua-se no socialismo e na mesma toada da dita velha esquerda. Essa é a prova de que as esquerdas são desiguais, mas não muito diferentes.

Tornar-se-ia desnecessário falar dos inúmeros regimes totalitários de esquerda. Também seria citar os nomes dos intelectuais esquerdistas que apoiaram e defenderam esses regimes e seus incontáveis crimes. Assim procederia. Mas a vida não é um tratado de lógica, e se assim fosse as ideias estúpidas não triunfariam.

É necessário sim falar e mostrar que a esquerda protagonizou e defendeu as maiores carnificinas humanas na União Soviética, na China, no Camboja, em Cuba, em Angola, na Venezuela e em todos os países em que ela tentou tomar o poder pelas armas – logicamente o Brasil está incluído. Fora do poder, a esquerda tentou subverter a ordem legal e as instituições democráticas que hoje diz defender.

Não apenas no passado, mas atualmente também. A erosão da democracia em países latino-americanos governados pela esquerda é visível demais para ser negada. Não se tem na vice-presidência da Argentina uma mulher suspeita de assassinato e com inúmeras denúncias de corrupção nas costas? As mesmas pessoas que berram e chamam o presidente Jair Bolsonaro de genocida são as mesmas a idolatrarem os maiores genocidas – esses sim – que a humanidade já conheceu. Mas essa gente é assim mesmo. São hipócritas pela força do hábito. Nunca irão perceber o engodo das suas ideias – se é que possuem.

Diante disso tudo, algumas dúvidas certamente estão na cabeça do leitor. Como essa esquerda totalitária e inimiga máxima da democracia posa como sua mais fiel defensora? Como tipos como o sr. Alexandre de Moraes falam em defesa das instituições democráticas no mesmo instante em que perseguem e mandam prender pessoas em um inquérito ilegal?

Bom, para além do cinismo há a incapacidade intelectual. Vivemos no país dos insanos e dos analfabetos funcionais. Por aqui impera a burrice como norma inviolável. Muitos dos iluminados do establishment intelectual brasileiro festejam prisões de jornalistas como a prática mais democrática possível, e dão urros de alegria quando acontece o que aconteceu recentemente com o site Terça Livre. E não poucos os que são incapazes de perceber nessas ações a mais flagrante oposição a qualquer forma de democracia. É a loucura como regra.

A democracia dos esquerdistas é a democracia na qual só a esquerda pode existir, só a imprensa panfletária de DCE tem liberdade para atuar e só os seus cupinchas têm direitos. Ao resto, perseguição e nada mais. É o resumo da tragicomédia brasileira atual.

Jornalista. Escreve sobre politica brasileira e americana com análises não vistas na grande mídia.