Siga-nos nas redes sociais

Digite o que você procura:

Coluna

Por que ter medo da Brasil Paralelo? 

Em países com debates plurais e verdadeiramente democráticos, visões políticas e históricas são levantadas em uma briga de foice por lados opostos do espectro político. Todas elas são embasadas a gosto de seus respectivos defensores, mas são debatidas, analisadas, dissecadas por seus oponentes e só então rebatidas.

No Brasil não é bem assim. Um dos lados da política tomou de assalto a cultura e monopolizou as narrativas históricas brasileiras, a colocar ao público como as únicas aceitáveis. Tanto é que, por exemplo, qualquer crítica à narrativa de 1964 ser um golpe reacionário promovido pelo governo americano logo cai no ostracismo por ser tachada de “produto de revisionismo histórico direitista”. É nada mais que a famigerada espiral do silêncio: tachar o oponente com um algum adjetivo indesejável e incômodo para dar um “cala a boca” nele e ser dispensado de tentar refutar as suas ideias.

É justamente isso que estão a fazer com a empresa Brasil Paralelo, uma produtora de documentários que ganhou destaque por sua série “Brasil – A Última Cruzada”, que retrata a história do país sob um ponto de vista diferente da dita historiografia oficial. A produtora cedeu seu conteúdo para a TV Escola, canal ligado ao Ministério da Educação. Tal fato está a despertar a ira da grande mídia e dos historiadores esquerdistas.

Aí que quero chegar: por que tanto medo da Brasil Paralelo? Por que só os historiadores de esquerda podem usar e abusar dos espaços públicos e das universidades para perpetuarem narrativas que à luz dos fatos não se sustentam?

Ambas as respostas estão com um filósofo italiano que ditou a política brasileira sem nunca ter pisado em nosso país e sequer é falado pelos tagarelas da grande mídia: Antonio Gramsci.

O dito teórico marxista é o mentor da revolução cultural e da mudança de estratégia comunista na busca pelo poder. Enquanto a estratégia soviética ortodoxa era a de organizar o proletariado, tomar o poder mediante um golpe de Estado violento e depois mudar a mente e a consciência da população, Gramsci propõe exatamente o contrário.

Para ele, um regime comunista não teria a menor chance de dar certo e sobreviver sem chegar ao poder com uma hegemonia de cultura sólida e bem estabelecida. A disputa política não é nada mais que um subproduto da guerra cultural, onde é ali que o poder realmente está. A esquerda comunista deveria então promover uma tomada dos espaços culturais de forma gradual, a derrubar os valores conservadores da sociedade e substituir pelos novos valores do partido, o ente máximo incontestável.

Desse modo, dopada e controlada, a sociedade entregaria toda a sua liberdade e o poder ao partido, sem ter a mínima percepção do processo ocorrido. Com o controle cultural, mental e político nas mãos, aí sim a esquerda poderia agir contra seus inimigos – com a diferença de que agora não haveria mais oposição às suas ações.

É justamente isso que a esquerda brasileira fez desde a derrota de 1964 e a humilhação nas guerrilhas e na vida pública. Com a generosa ajuda dos militares, ela conseguiu tomar as escolas, as universidades e as redações de jornais sem a mínima resistência – qualquer dúvida basta conhecer o que pensava o general Golbery do Couto e Silva. Através dos ditos intelectuais, poderia mudar as ideias do povo com uma autoridade acima de qualquer contestação. E assim se deu a vida brasileira, com esse processo cristalizado na Nova República com a Constituição de 1988.

A direita política foi aniquilada durante aquele período. E, quando voltou, tomou ciência da situação. É nesse contexto que a Brasil Paralelo está inserida. Contar a nossa história sem os cacoetes marxistas da luta de classes que ignora nossos verdadeiros heróis. De Padre Anchieta a Carlos Lacerda, passando por José Bonifácio e Carlos Gomes, o Brasil tem heróis. O Brasil tem um legado. O Brasil tem na sua formação as sementes da civilização ocidental com a bandeira da catequização dos nossos nativos, a salvação das almas pela Igreja Católica. Todo esse peso cultural deve ser devolvido aos brasileiros – e é precisamente isso que a Brasil Paralelo faz.

Eliminar e derrubar de vez as narrativas da historiografia politicamente correta e mentirosa é um trabalho difícil, mas não menos honroso. Jogar luz ao reino da escuridão provoca reações histéricas, calúnias sórdidas e caretas de indignação, mas como diria Aristóteles, a palavra “cão” não morde.

De marxistas uspianos a comentaristas políticos da GloboNews, o medo das convicções incontestáveis de gerações inteiras virarem pó frente à realidade dos fatos e da boa historiografia é fator preponderante para jogar tomates na Brasil Paralelo. Que joguem. A verdade ignorada tem que ser contada a um povo de memória curta.

No passado, historiadores talentosos como João Camilo de Oliveira Torres, Eduardo Prado, Oliveira Lima e Oliveira Viana foram desprezados por não comungar com a dita historiografia oficial. Hoje é a vez de Rafael Nogueira e Thomas Giulliano sentirem a bílis do beautiful people acadêmico e midiático. Sinal de que estão certos – como a Brasil Paralelo.

Referências: 

  1. https://epoca.globo.com/guilherme-amado/olavo-de-carvalho-no-horario-nobre-na-estatal-tv-escola-24127613
  2. http://olavodecarvalho.org/que-e-hegemonia/
  3. https://g1.globo.com/globonews/estudio-i/video/tv-escola-exibe-serie-com-olavo-de-carvalho-8157693.ghtml
Comentários

Jornalista e analista político. Escreve sobre história, politica brasileira e americana — com análises não vistas na grande mídia.

Mundo

País caiu 58 posições em listagem com mais de 100 nações.

Últimas

Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública diz que país teve 130 mortes/dia em 2021.

Governo

Ingresso no chamado 'clube dos ricos' é caminho natural, avalia o vice-presidente.

Mundo

Bulgária, Croácia, Peru e Romênia também avançaram na adesão à entidade.

----- CLEVER ADS -----