ver tudo
Menu Economia

Imposto soberano: governo Lula entra para a história como gestão que mais taxou os brasileiros

Arrecadação federal chegou a R$ 2,709 trilhões em 2024, recorde absoluto da série histórica; despesa pública federal atingiu 32,2% do PIB, e dívida bruta subiu 5,8 pontos percentuais desde janeiro de 2023.

PUBLICIDADE
Adicione o Conexão Política como sua fonte preferidaAdicione o Conexão como fonte preferida

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminha-se para encerrar o terceiro mandato como a gestão que mais elevou impostos no Brasil desde a redemocratização. Em dois anos, o Planalto adotou medidas que resultaram em aumento de tributos ao menos 27 vezes, incluindo altas de alíquotas de importação, mais taxas sobre petróleo, elevação de PIS/Cofins e IOF, além da revogação de benefícios fiscais que ampliaram a cobrança sobre setores inteiros da economia. O número chegou a 28 com os ajustes tributários adicionais implementados ao longo de 2025.

A arrecadação de impostos do governo federal totalizou R$ 2,65 trilhões em 2024, recorde para um ano na série histórica, iniciada em 1995, segundo a Receita Federal. O número é 9,62% maior em relação ao ano anterior, já descontada a inflação. Em termos nominais, a arrecadação federal fechou o ano em R$ 2,709 trilhões, o maior valor já registrado. O crescimento foi puxado, em parte, pela reoneração do PIS/Cofins sobre combustíveis e pela tributação de fundos exclusivos, que sozinha gerou incremento de R$ 13 bilhões à arrecadação.

Lula
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em 2024, a soma de tributos arrecadados pela União, Estados e municípios chegou a 34,2% do PIB, o maior patamar da série histórica. Para efeito de comparação, a carga tributária estava em 31,2% do PIB em 2022, último ano do governo anterior. A parcela do governo central aumentou de 20,6% para 21,4% no mesmo período. O país, que não integra a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), já ultrapassou a média da entidade, que foi de 33,9% em 2023.

O volume de tributos não sustentou as despesas. Os gastos do governo federal atingiram 32,2% do PIB em 2024, equivalendo a R$ 3,78 trilhões em valores nominais. Ao se considerar Estados e municípios, o valor consolidado chegou a R$ 5,36 trilhões. As contas públicas do governo federal registraram déficit primário de R$ 43,0 bilhões em 2024, ou 0,36% do PIB. O governo cumpriu formalmente a meta fiscal ao excluir as despesas com as enchentes no Rio Grande do Sul e as queimadas, o que reduziu o saldo negativo para R$ 11,0 bilhões, ou 0,09% do PIB.

Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsApp

Ao longo de três anos, o governo torrou R$ 324 bilhões fora da meta fiscal. O compromisso com déficit zero, fixado como objetivo pela equipe econômica chefiada pelo ministro Fernando Haddad, não foi cumprido em nenhum dos exercícios. Em 2023 e 2024, o gasto primário federal cresceu a uma taxa acumulada de 12% em termos reais, sem os ajustes estruturais necessários para conter o déficit.

A disparada da farra se somou à aceleração do endividamento público. A dívida bruta do governo geral alcançou 77,5% do PIB, aumento de 5,8 pontos percentuais desde o início do governo Lula, equivalendo a R$ 9,6 trilhões. O economista Douglas Holanda afirma que a relação dívida-PIB está em trajetória ‘insustentável’ e aponta para uma ‘crise fiscal muito desconfortável’ à frente. Na mesma direção, o economista João Costa diz o que país, ainda que batendo recordes de arrecadação e carga tributária, continua não fechando a conta.

O analista Gustavo Fernandes estima que o déficit nominal médio do terceiro mandato de Lula girar em torno de 9% do PIB, superando os resultados negativos de todas as gestões anteriores, inclusive o período mais crítico da pandemia em 2020. Fernandes calcula que Lula herdou um déficit nominal de 4,6% do PIB em 2022 e o ampliará em quase 90% ao final do mandato.

Entre os instrumentos utilizados para ampliar a arrecadação, está o IOF. De janeiro a novembro de 2025, o governo arrecadou R$ 77,55 bilhões com o Imposto sobre Operações Financeiras, alta real de 19,9% na comparação com o mesmo período de 2024, o maior valor para o período na série histórica. Em reação, o Congresso Nacional derrubou o decreto presidencial que elevava as alíquotas, e o Supremo Tribunal Federal reverteu a decisão dos parlamentares, restabelecendo os efeitos do decreto. Haddad negociou, em seguida, uma calibragem parcial das alíquotas com o Legislativo.

Entre as medidas implementadas constam a tributação de fundos exclusivos e offshores, com alíquota de 15% para fundos de longo prazo; o fim da isenção de IR sobre títulos incentivados como LCI, LCA, CRI e CRA, com cobrança de 5%; a reoneração gradual da folha de pagamentos; o encerramento do Perse, programa criado durante a pandemia para o setor de eventos; e a taxação de 20% sobre compras internacionais acima de US$ 50. O Planalto argumenta que a turbinada da arrecadação decorre do crescimento econômico e da chamada justiça fiscal, que é a tributação de grandes fortunas sob alegação de correção de distorções históricas.

Mais do Conexão

Veja mais

Mais lidas

  1. Economia Cavagna Group faz de Valinhos base para crescer na América Latina e investe mais de R$ 40 milhões no Brasil
  2. Economia Fake news de Lula no JN: petista não herdou déficit de Bolsonaro; governo anterior fechou 2022 com superávit
  3. Economia Mercado sugere a Flávio Bolsonaro ter Marcelo Kayath na Fazenda e Daniella Marques na Casa Civil
  4. Economia Endividamento dos mais pobres, base eleitoral de Lula, ameaça travar economia a partir de 2027