ver tudo
Menu Economia
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Petrobras rompe contrato com segunda maior petroquímica do Brasil

PUBLICIDADE
Adicione o Conexão Política como sua fonte preferidaAdicione o Conexão como fonte preferida

Na sexta-feira (28), a Petrobras rompeu o contrato de industrialização por encomenda (tolling) firmado com a Unigel em dezembro de 2023. O acordo, avaliado em R$ 759,2 milhões, assegurava a retomada das atividades das fábricas de fertilizantes da petroleira nas unidades de Camaçari (BA) e Laranjeiras (SE), que estão arrendadas para a Unigel.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Segundo a estatal, o contrato não teve suas condições de eficácia atendidas dentro do prazo estabelecido para quinta-feira (27). Por isso, teve sua “vigência encerrada antes mesmo de surtir seus efeitos”. Em nota, a companhia afirmou que as contratantes continuam buscando uma solução definitiva, rentável e viável para o suprimento de fertilizantes ao mercado brasileiro. Leia a íntegra do comunicado.

Em janeiro, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia identificado “indícios de irregularidades” no acordo. O TCU pediu a suspensão do contrato e cobrou explicações da Petrobras, apontando que o acordo poderia resultar em um prejuízo de quase R$ 500 milhões à estatal, segundo a análise de seus técnicos.

Dentre as possíveis irregularidades, a área técnica do TCU apontou falhas nas justificativas para a realização do negócio, a ausência de assinatura de instâncias superiores da companhia no contrato e o fato de a Petrobras assumir os riscos do negócio em um cenário de mercado desfavorável.

Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsApp

Em um despacho de fevereiro, o ministro Benjamin Zymler, relator do caso, afirmou que ao manter o contrato de arrendamento enquanto contrata a Unigel de forma terceirizada para operar a fábrica, a Petrobras “passa a fornecer o gás e receber fertilizante, tornando-se responsável por sua comercialização, assumindo o ônus de uma operação deficitária de quase meio bilhão de reais em um período de 8 meses”.

O parecer técnico concluiu que o contrato afronta os princípios da eficiência, da economicidade e da razoabilidade, por ser uma solução provisória diante de outras possibilidades mais perenes. Um dos motivos é que, ao final dos 8 meses, a estatal terá que reavaliar a questão, “tendo que escolher entre prolongar indefinidamente o contrato de tolling, o que poderia ocasionar prejuízos ainda maiores, ou encontrar uma solução definitiva”.

Entenda o que é tolling

A Petrobras arrendou as Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafens) da Bahia e de Sergipe para a Proquigel, subsidiária da Unigel, em 2019, durante o governo Jair Bolsonaro (PL). O contrato tem duração de 10 anos. No entanto, a empresa paralisou as duas fábricas de fertilizantes em 2023 devido à falta de lucratividade.

A Unigel, a segunda maior petroquímica do Brasil, vem enfrentando dificuldades financeiras. De janeiro a setembro de 2023, o grupo acumulou um prejuízo de R$ 1,05 bilhão. No mesmo período de 2022, a empresa tinha registrado um lucro de R$ 491 milhões.

A gestão de Jean Paul Prates na Petrobras negociou uma forma de retomar a produção, já que o governo Lula cobrava ações da estatal no setor de fertilizantes. O arranjo encontrado para o curto prazo foi o tolling, assinado no final de 2023 com vigência de 8 meses.

Pelo acordo de tolling, a Unigel continuaria operando as duas fábricas, que teriam o gás natural fornecido pela Petrobras. A produção final também seria comercializada para a estatal, funcionando como uma operação terceirizada.

As fábricas entraram em operação em 2013 e juntas têm capacidade instalada para atender 14% da demanda nacional de ureia. Ambas apresentaram resultados deficitários de 2013 a 2017, foram paralisadas em 2018 e retomadas com o arrendamento à Unigel.

Mais do Conexão

Veja mais

Mais lidas

  1. Economia Às vésperas da eleição, governo prepara mais 30 dias de subsídio ao diesel
  2. Economia Mora em condomínio? Nova lei pode mudar a rotina de moradores a partir de 2027
  3. Economia Gigante varejista confirma fechamento de 28 lojas e redução de quadro em 6,7 mil funcionários
  4. Economia Ministro da Fazenda diz que déficit dos Correios não deve ser confundido com prejuízo da estatal