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Recuperações judiciais batem recorde histórico no Brasil, com quase 6 mil empresas em processo de ‘linha vermelha’

Estoque de companhias em crise cresceu 24,3% em relação ao quarto trimestre de 2024; Selic a 15% é apontada como principal motor do avanço; agronegócio registra alta de 56% nos pedidos.

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O número de empresas em recuperação judicial no Brasil alcançou 5.680 ao final de 2025, contra 4.568 no ano anterior, em um crescimento de quase 25%.

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O recorde é consequência de uma combinação de fatores econômicos e estruturais que se acumularam nos últimos anos e tiveram seu pico em um ambiente financeiro mais restritivo. É o maior patamar da série histórica do Monitor de Recuperação Judicial.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ritmo de pedidos acelerou no fim do ano, com 510 empresas entrando em recuperação judicial apenas no último trimestre de 2025, volume 7,5% maior que o registrado no período anterior e o maior já observado na série histórica.

Juntas, essas companhias acumulam cerca de R$ 40 bilhões em dívidas, com quase metade concentrada em um único caso: a petroquímica Unigel, que entrou em recuperação com passivo declarado de R$ 19 bilhões.

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O ponto-chave da crise é a Selic estacionada em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.

O agronegócio cravou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, alta de 56,4% sobre 2024 e o maior número desde o início do monitoramento pela Serasa Experian.

A disparada se dá em contradição com o desempenho produtivo do setor. Mesmo diante de supersafras e crescimento de 11,7% do PIB agropecuário, milhares de produtores enfrentaram deterioração financeira causada por juros elevados, queda nos preços das commodities e aumento dos custos de produção.

No recorte setorial, o agronegócio registrou 13,53 recuperações judiciais para cada mil empresas do setor, taxa muito acima da média nacional de 2,13.

A indústria aparece em segundo lugar, com índice de 6,74, seguida pela infraestrutura, com 4,11. Comércio e serviços ficaram abaixo da média, com 1,81 e 1,02, respectivamente.

Do ponto de vista do sucesso dos processos, 71% das empresas em recuperação conseguiram retomar as atividades sem supervisão judicial no quarto trimestre de 2025.

As demais, 29%, tiveram que enfrentar a falência. O índice de insucesso, porém, é o mais alto da série histórica recente, que historicamente ficava em torno de 20%.

O ponto preocupa ainda mais porque vai de encontro à entrada de grandes empresas no processo, o que pode gerar efeito cascata sobre pequenas e médias companhias.

Flutuações no câmbio e a proximidade das eleições aumentam a incerteza. Internamente, o governo Lula já se vê pressionado politicamente, devido aos rumores de que 2026 deve registrar novos recordes de empresas em dificuldade.

Com a troca de nomes no alto escalão do governo, o temor do Planalto é que o novo time da Fazenda não apenas dê continuidade ao clima de insatisfação econômica, mas também amplie o desgaste frente à opinião pública, que é a principal barreira de Lula, que tentará a reeleição ou, a depender, emplacará um sucessor na corrida presidencial de outubro.

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