A 1ª Câmara de Direito Privado do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro) decretou, nesta terça-feira (25), a falência da Oi, antiga gigante brasileira das telecomunicações. A decisão foi unânime e negou os agravos apresentados pelos bancos Itaú Unibanco e Bradesco, credores da empresa, que tentavam manter o processo de recuperação judicial em vigor.
A falência da Oi já havia sido decretada em novembro de 2025 pela 7ª Vara Empresarial do Rio, sob avaliação da juíza Simone Gastesi Chevrand, que classificou a companhia como “tecnicamente falida” diante de dívidas de cerca de R$ 1,7 bilhão à época e patrimônio já esvaziado. A decisão, no entanto, foi suspensa dias depois, quando os bancos recorreram e obtiveram efeito suspensivo concedido pela desembargadora Monica Maria Costa Di Piero, o que manteve a empresa em recuperação judicial por cerca de dez meses.

O julgamento dos recursos na segunda instância havia sido interrompido em junho, após um pedido de vista do desembargador Augusto Alves Moreira Junior, e só foi retomado nesta terça-feira, quando os agravos dos bancos foram negados por unanimidade, sob relatoria da própria desembargadora Di Piero. Na decisão, ela destacou a importância de preservar os direitos trabalhistas e constitucionais dos credores durante o processo de falência. O advogado Bruno Rezende foi nomeado administrador judicial, e Adriano Pinto Machado, do escritório Pinto Machado Advogados, foi designado observador judicial do caso, ao lado do escritório Sergio Zveiter.
A dívida atual da Oi ultrapassa R$ 44 bilhões, e a companhia soma cerca de 164 mil credores, segundo dados enviados à Justiça. O patrimônio líquido negativo do grupo supera R$ 22,6 bilhões. Nos últimos meses, fornecedores chegaram a suspender serviços por falta de pagamento, e a empresa passou a quitar apenas parte de seus contratos, informando à Justiça que não teria recursos para cobrir despesas até o fim de agosto.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppA Oi já foi uma das maiores operadoras de telecomunicações do país, mas vem se desfazendo de seus principais ativos nos últimos anos: a operação móvel foi vendida a Claro, TIM e Vivo, e a rede de fibra óptica foi repassada à V.tal. Ainda assim, a empresa segue sendo a única operadora presente em cerca de 7 mil localidades brasileiras e responsável pela operação de serviços de emergência como os números 190 (Polícia Militar), 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros).
Segundo o especialista em recuperação de tributos e direito bancário Bruno Medeiros Durão, o foco da discussão agora se desloca para a qualidade e a disponibilidade do patrimônio remanescente da empresa. “Não basta saber quanto a empresa deve; será preciso saber quanto patrimônio efetivamente poderá ser convertido em dinheiro, quais ativos estão livres, quais estão vinculados a garantias e quais créditos ainda podem ser recuperados”, avaliou.
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