O Palácio do Planalto protocolou, no final da tarde desta sexta-feira (20), pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), estão fora de Brasília, não houve a entrega formal do documento pelas autoridades.
A peça processual foi elaborada com base no artigo 52 da Constituição. Trata-se do trecho da Carta Magna que transfere ao Senado a competência para julgar crimes de responsabilidade de integrantes do Tribunal.
Qualquer pessoa pode sugerir o impeachment de ministros do STF, no entanto, é a primeira vez que a Presidência da República se dedica a processar pessoalmente os integrantes da Suprema Corte, transferindo uma carga política muito maior aos pedidos.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppO Conexão Política explica, a seguir, até onde pode chegar um procedimento desse tipo:
DESPACHO — o presidente do Senado decidirá se o pedido terá andamento ou não. Pode pedir pareceres jurídicos antes de deliberar. Não há prazo para análise, o que significa que os procedimentos podem permanecer engavetados;
COMISSÃO — caso o presidente do Senado dê prosseguimento ao pedido, será criada uma comissão especial com 21 senadores a fim de analisar as argumentações e dar direito de defesa ao ministro. Após isso, é preciso maioria simples para que o texto prossiga à próxima fase;
PLENÁRIO, FASE 1 — aprovado na comissão especial, caberá novamente ao presidente do Senado decidir quando (e se) levará o caso para o plenário. Nesse estágio, é necessária maioria simples em votação para, tecnicamente, abrir o processo;
PLENÁRIO, FASE 2 — havendo maioria simples na votação preliminar, o próximo passo é efetivamente julgar se houve crime de responsabilidade. Para condenação é necessário apoio de pelo menos 2/3 dos parlamentares da Casa, ou seja, 54 dos 81 senadores, em sessão a ser presidida pelo presidente do STF;
CONDENAÇÃO: havendo 2/3 dos votos favoráveis à condenação, o ministro perde seu cargo e fica inabilitado por 8 anos para funções públicas e/ou políticas.
Vale lembrar que, diferentemente do impeachment contra presidente da República, processos contra ministros do Supremo não passam pela Câmara dos Deputados.
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