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Decisão sem precedentes de revogar visto de embaixadora agrava relação com EUA a nível inédito

Palácio do Planalto classifica medida americana como “escalada deliberada” de ações hostis; crise ocorre em meio a tensões comerciais e institucionais entre os dois países.

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O governo brasileiro classificou como “escalada deliberada” de ações hostis a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciada nesta terça-feira (4) pelo Departamento de Estado americano. Em nota, o Palácio do Planalto repudiou a medida e classificou como falsas as justificativas apresentadas pelo governo americano.

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Segundo o governo dos Estados Unidos, a revogação decorre da demora das autoridades brasileiras em conceder o agrément, autorização diplomática necessária para que Daniel Perez assuma a embaixada americana em Brasília. O Planalto, por sua vez, afirmou identificar na medida um interesse indevido de interferência no processo político brasileiro e informou que acompanhará os desdobramentos diplomáticos do caso.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A crise tem origem em uma quebra de protocolo por parte de Washington. Segundo reportagem do New York Times, a indicação de Perez foi anunciada publicamente pela Casa Branca antes da consulta formal ao governo brasileiro, rompendo com a tradição diplomática de longa data observada pela maioria dos países nesse tipo de nomeação. Uma autoridade brasileira de alto escalão, sob condição de anonimato, classificou a omissão americana como grave desfeita diplomática, que teria agravado relações já desgastadas entre os dois países.

A agência Bloomberg, por sua vez, ouviu autoridade do governo americano que negou se tratar de expulsão da diplomata brasileira e afirmou que o visto de Viotti será restabelecido assim que o Brasil aprovar a indicação de Perez para o posto em Brasília. Até o momento, ela segue como embaixadora titular, e a representação brasileira em Washington continua funcionando normalmente, embora a diplomata não possa retornar aos Estados Unidos caso deixe o país.

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O ponto se dá em meio a um quadro mais amplo de deterioração nas relações entre Brasil e Estados Unidos, agravado desde que Washington impôs, em julho, tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros, sob alegação de práticas comerciais desleais. A crise tarifária já havia elevado o nível de desconfiança mútua entre os dois governos antes mesmo do episódio envolvendo o visto da embaixadora.

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