O governo do presidente norte-americano Donald Trump avalia a possibilidade de voltar a aplicar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na chamada Lei Magnitsky.
O magistrado havia sido alvo dessa medida em julho de 2025. A decisão impôs restrições para que Moraes realizasse negociações ou utilizasse serviços de empresas americanas, além de determinar o congelamento de eventuais ativos ou propriedades nos Estados Unidos.

A sanção também foi estendida à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e ao Lex Instituto de Estudos Jurídicos, entidade vinculada a ela. Em dezembro do mesmo ano, porém, a aplicação das penalidades foi suspensa.
Segundo relatos de fontes ligadas à administração americana, as discussões sobre uma eventual retomada das sanções ocorreram ao longo do último mês dentro do governo dos Estados Unidos.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppDentro da estrutura do Departamento de Estado, o responsável por acompanhar temas relacionados ao Brasil e à atuação de Moraes é o assessor sênior Darren Beattie. Nomeado para o cargo no fim de fevereiro, ele já exercia influência sobre a política externa da administração Trump em relação ao Brasil desde o início do atual mandato do republicano, em janeiro de 2025.
Na terça-feira (10), Alexandre de Moraes autorizou Darren Beattie a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua cela na chamada “Papudinha”, uma ala do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal localizada dentro do complexo penitenciário da Papuda, em Brasília.
Durante a viagem ao Brasil, Beattie também deve se reunir com outros políticos de oposição em Brasília.
Em agosto do ano passado, o assessor americano criticou Moraes publicamente em publicação nas redes sociais. Na ocasião, afirmou que o ministro seria “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores”.
Tensão com empresas de tecnologia
No governo americano, a principal fonte de embate envolvendo Moraes não está relacionada somente à execução penal do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas também ao histórico de embates do ministro com empresas de tecnologia dos Estados Unidos.
Entre os pontos citados por autoridades americanas está a decisão que suspendeu o funcionamento da plataforma X/Twitter no Brasil em agosto do ano passado. A rede social, pertencente ao empresário Elon Musk, permaneceu bloqueada por 39 dias.
A suspensão foi revogada após o pagamento de R$ 26,8 milhões em multas, o bloqueio de perfis investigados e a indicação de representantes legais da empresa no país.
O Departamento de Estado, ainda conforme a publicação, monitora a posição defendida por Moraes em relação à regulação das plataformas digitais. O ministro é autor do livro “Democracia e Redes Sociais: Desafio de Combater o Populismo Digital Extremista”, lançado em outubro de 2024 e finalista do Prêmio Jabuti no mesmo ano.
Na obra, Moraes defende a regulamentação das plataformas de internet como mecanismo de proteção do processo eleitoral contra manipulações informacionais.
“As condutas dos provedores de redes sociais e de serviços de mensageria privada e de seus dirigentes precisam ser devidamente regulamentadas e responsabilizadas, pois são remuneradas por impulsionamentos e monetização, bem como há o direcionamento dos assuntos pelos algoritmos, podendo configurar responsabilidade civil e administrativa das empresas e penal de seus representantes legais”, afirma trecho do livro.
Dentro do governo Trump, a visão é interpretada por parte das autoridades como incompatível com valores defendidos pelos Estados Unidos, especialmente o princípio da liberdade de expressão. Há também preocupação sobre a influência que esse entendimento jurídico possa exercer em outros países, particularmente entre juristas e governos que discutem formas de regular plataformas digitais e redes sociais.
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