O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, solicitou no dia 9 de junho ao Conselho Permanente da entidade que suspenda a participação da Nicarágua como Estado-membro.
Em carta dirigida ao presidente do Conselho Permanente da OEA, Ronald Sanders, Almagro pediu a realização de uma reunião de emergência para “ativação dos mecanismos necessários para a aplicação à Nicarágua do artigo 21 da Carta Democrática Interamericana”.
Especificamente, este artigo indica que, “quando a Assembleia Geral, convocada para um período extraordinário de sessões, constatar que houve um colapso da ordem democrática em um Estado-membro e que os esforços diplomáticos não tiveram êxito […] tomar-se-á a decisão de suspender o exercício de seu direito de participar da OEA desse Estado-membro, com o voto favorável de dois terços dos Estados-membros e a suspensão entrando em vigor imediatamente”.
A petição de Almagro é produzida pela grave situação na Nicarágua, em que a tirania do socialista Daniel Ortega “se embarcou nos últimos dias em uma perseguição contra dirigentes da oposição, pré-candidatos a cargos públicos eleitos e dirigentes sociais e empresariais”, e que eles foram detidos “sem qualquer garantia de seus direitos ou processos judiciais”.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsApp“Tal conduta inaceitável junta-se à existência anterior de presos políticos no país, à contínua violação dos Direitos Humanos e das liberdades civis e políticas, à recente aprovação de leis que restringem ainda mais os direitos políticos, à concentração do poder absoluto no Poder Executivo, no quadro da mais absoluta submissão dos demais poderes do Estado ao governo”, escreveu Almagro na carta.
A tudo isso, ele lamentou acrescentar o “descumprimento da resolução da última Assembleia Geral da OEA e o desprezo pelos mecanismos de direitos humanos”.
“Na Nicarágua houve uma modificação da ordem constitucional em conformidade com o artigo 20 da Carta Democrática Interamericana”, continuou o secretário.
Se a Nicarágua for suspensa da OEA, o país “deve continuar observando o cumprimento de suas obrigações como membro da Organização, especialmente na área de direitos humanos”, de acordo com o artigo 21 da carta, que também indica que uma vez adotada a decisão, a OEA “manterá seus esforços diplomáticos para restaurar a democracia no Estado-membro afetado”.
Nas últimas semanas, as autoridades detiveram quatro oponentes. A primeira a ser presa, acusada de suposto crime de lavagem de dinheiro, foi Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios (1990-1997), seguida por Arturo Cruz, por “atentado à sociedade e aos direitos do povo”. Eles foram acompanhados nos últimos dias por Félix Madariaga e Juan Sebastián Chamorro.
A comunidade internacional tem demonstrado preocupação com a situação e, inclusive, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs novas sanções econômicas contra quatro cidadãos nicaraguenses, entre os quais está Camila Ortega Murillo, filha do presidente esquerdista Daniel Ortega.
Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Seja o primeiro a comentar esta matéria.