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Sem votos suficientes para vencer, candidato de esquerda pede anulação do eleitorado do exterior que dá vantagem a Keiko

Postulante governista recorre à via judicial para contestar votos da diáspora que ampliaram a diferença para a candidata de direita.

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O candidato de esquerda Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Perú, solicitou formalmente ao Júri Nacional de Eleições a anulação de todos os votos emitidos por peruanos no exterior no segundo turno das eleições presidenciais. Com 99,85% das urnas contabilizadas, a candidata conservadora Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, lidera com 50,118% dos votos válidos, contra 49,822% de Sánchez.

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A diferença é de cerca de 41 mil votos em um universo de mais de 19 milhões apurados. “Apresentamos o pedido de nulidade de ofício para que o Júri Nacional de Eleições declare a nulidade das eleições realizadas pelas 119 repartições consulares”, escreveu Sánchez no X/Twitter.

Cálculo por trás do pedido

Foto: WHoP

Keiko Fujimori obteve 63,4% dos votos no exterior, contra 23,4% de Sánchez. Nos colégios instalados nos Estados Unidos, Fujimori alcançou 76,6% dos votos, contra 23,4% do adversário. Se os cerca de 300 mil votos do exterior fossem anulados, a vantagem se inverteria: Sánchez passaria a liderar por aproximadamente 25 mil votos. O partido Juntos por el Perú também pediu a anulação de mais de 1.700 atas de votação dentro do Peru, alegando padrões que considera “estatisticamente impossíveis” e que indicariam suposta adulteração. A campanha de Keiko Fujimori rejeitou as acusações e afirmou que os pedidos de nulidade atingem atas assinadas por representantes do próprio partido de Sánchez.

O que ainda pode mudar

O resultado oficial não foi proclamado. Ainda dependem de revisão atas contestadas que contêm cerca de 82 mil votos, volume suficiente para alterar o desfecho caso o Júri Nacional de Eleições acate parcialmente as contestações. O segundo turno foi realizado em 7 de junho. O processo de apuração acumulou ao longo de mais de duas semanas duas viradas de liderança, com Sánchez à frente nas fases iniciais e Fujimori assumindo a dianteira com a contagem dos votos do exterior e de distritos urbanos de maior renda.

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Quem são os candidatos

Roberto Sánchez é o herdeiro político de Pedro Castillo, ex-presidente que governou o Peru entre 2021 e 2022 e foi preso após tentar dissolver o Congresso por decreto. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, morto em 2024 enquanto cumpria pena por crimes contra a humanidade cometidos durante seu governo na década de 1990, disputa a presidência pela terceira vez: perdeu para Pedro Kuczynski em 2016 e para Pedro Castillo em 2021, em ambos os casos no segundo turno. A disputa entre os dois recai sobre a divisão histórica peruana entre o litoral urbano, onde Fujimori é mais forte, e o interior rural e andino, reduto tradicional da esquerda.

Missão de observação

Uma delegação da União Europeia acompanhou o segundo turno e concluiu que a votação ocorreu de forma calma e ordeira, mesmo em ambiente de forte polarização política. Nenhuma irregularidade foi identificada pelos observadores internacionais. O pedido de Sánchez não apresentou ao Júri Nacional de Eleições provas documentais de fraude nas seções consulares, apenas a alegação de que cédulas eleitorais teriam deixado de ser contadas no exterior e sido transferidas para apuração em Lima, o que classificou como “grave violação da intangibilidade das normas eleitorais.”

A tentativa de anular o voto do exterior como mecanismo para inverter um resultado desfavorável tem precedente regional. Gustavo Petro adotou postura semelhante na Colômbia após o primeiro turno de maio, contestando a contagem preliminar sem apresentar provas, numa estratégia que também não foi corroborada pelos organismos eleitorais. No Peru, o Júri Nacional de Eleições é o árbitro final. A decisão sobre os pedidos de nulidade define lquem governa o país e o grau de legitimidade com que o vencedor chegará ao poder.

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