O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou nesta quinta-feira (3) que o Congresso Nacional deve adotar medidas para limitar a atuação de partidos políticos que ingressam com ações no Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisões tomadas pelo Legislativo.
A declaração ocorre após o PSOL apresentar uma ação na Corte para suspender o decreto legislativo que anulou o aumento do IOF, editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em discurso no plenário, Alcolumbre defendeu que o Parlamento estabeleça critérios mais claros sobre quais tipos de proposições podem ser judicializadas e sugeriu que seja fixado um número mínimo de parlamentares para que um partido possa questionar leis no Judiciário.
“Hoje está muito aberto isso. Todo mundo pode acessar e questionar qualquer coisa, entrar com o Adin em relação a uma legislação votada pelo parlamento brasileiro. Eu entendo que nós temos que tomar uma providência em relação a isso”, afirmou.
O presidente do Senado também criticou a incoerência de setores políticos que acionam o Judiciário e depois questionam suas decisões. “As críticas ao Judiciário são fruto daqueles que vão e procuram no Judiciário, como o caso do IOF. Foi um partido político que entrou fazendo o primeiro questionamento e, em seguida, a AGU, com legitimidade, com prerrogativa. Mas se todo o tempo nós levarmos todas as discussões do Congresso […] em todo instante alguém vai ficar satisfeito e alguém vai ficar insatisfeito com a decisão da Suprema Corte Brasileira.”
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppA proposta de regulamentar esse tipo de ação poderá ser discutida na próxima reunião de líderes do Senado. O tema já vem sendo mencionado por parlamentares de diferentes bancadas nos últimos dias, especialmente na Câmara dos Deputados.
O próprio ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), também defendeu o tema nesta quinta-feira, durante evento em Portugal. “A judicialização da política acontece pela própria política. Precisamos fazer o dever de casa no Legislativo. Aprovar modificações na lei para que matérias aprovadas por maioria absoluta, como qualquer uma que ultrapasse 350 ou 380 [votos], não sejam contestadas por minorias insatisfeitas”, declarou.
Segundo Alcolumbre, a ideia é garantir segurança institucional às decisões do Congresso e evitar que a judicialização contínua desestabilize a relação entre os Poderes.
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