O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve apresentar em maio um novo projeto de lei que surge como uma alternativa ao PL da Anistia.
A proposta, que também conta com o respaldo do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), vinha sendo discutida discretamente há algumas semanas e agora ganha força com a articulação conjunta das duas Casas Legislativas.
A iniciativa busca promover ajustes na legislação para permitir uma individualização mais adequada das penas impostas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Com isso, o Congresso tenta oferecer uma resposta “equilibrada” às críticas feitas às condenações aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), preservando o entendimento de que os crimes não devem ficar impunes, mas garantindo proporcionalidade nas punições.
A ideia é alterar pontos da Lei do Estado Democrático de Direito e do Código Penal, com o objetivo de beneficiar condenados por crimes considerados de menor gravidade. A nova legislação, se aprovada, poderá retroagir em favor dos réus, mas não atingirá quem foi responsabilizado por atos mais violentos ou de maior repercussão.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppO projeto de Alcolumbre e Hugo Motta é visto como uma forma de esvaziar a proposta de anistia ampla defendida por parlamentares da direita, especialmente aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A anistia, embora tenha apoio de parte da Câmara, enfrenta resistência no governo federal, no STF e entre setores mais centristas do Congresso.
Segundo interlocutores, a estratégia de Alcolumbre é construir uma solução que ajuste as bases jurídicas das condenações, atenda a uma demanda política crescente por revisão das penas e, ao mesmo tempo, evite um conflito institucional aberto entre o Legislativo, o Judiciário e o Executivo — preocupação que tem orientado os movimentos recentes dos presidentes das duas Casas.
O projeto, ainda em elaboração final, é descrito como uma tentativa de “aprimoramento” das leis vigentes, permitindo ao Congresso retomar o protagonismo sobre a legislação penal relacionada aos eventos do 8 de janeiro, sem desautorizar as decisões já tomadas pelo STF.
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