A CPMI do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) recebeu 586 requerimentos até a noite de quinta-feira (21), apenas 24 horas após ser instalada. Parte deles é duplicada, o que deve estender a análise e votação ponto a ponto dos pedidos a partir da próxima terça-feira (26).
A comissão foi criada para apurar fraudes e desvios em benefícios de aposentados e pensionistas. Os pedidos precisam ser pautados pelo presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e aprovados pelos integrantes da comissão.
Requerimentos de sigilo e convocações
Entre os 586 requerimentos, ao menos 104 tratam de quebras de sigilo — bancário, fiscal ou telefônico. Um deles mira José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), investigado pela Polícia Federal por descontos irregulares em contracheques.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppMinistros do governo também estão na lista de convocações, como Jorge Messias (AGU), Vinícius de Carvalho (CGU) e Ricardo Lewandowski (Justiça), além do ex-ministro Carlos Lupi (PDT). Ex-presidentes do INSS também podem ser chamados a depor. Do lado oposicionista, o deputado Rogério Correia (PT-MG) pediu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja ouvido pela CPMI.
Atuação da oposição
Mais da metade dos requerimentos — 304, ou 51,8% do total — foi apresentada por um único parlamentar: o senador Izalci Lucas (PL-DF), que concentrou esforços durante o recesso para preparar os pedidos.
A oposição conquistou o comando do colegiado ao derrotar o nome do governo, Omar Aziz (PSD-AM), e garantir a eleição de Carlos Viana para a presidência e de Alfredo Gaspar (União-AL) para a relatoria. O Palácio do Planalto foi surpreendido pela articulação e vê risco de desgaste em um ano pré-eleitoral.
Operação Sem Desconto
A instalação da CPMI ocorre em paralelo às investigações já conduzidas pela Polícia Federal. Em abril, a operação Sem Desconto cumpriu 211 mandados de busca e apreensão e seis de prisão temporária em 14 Estados e no Distrito Federal.
Segundo a PF, o esquema envolvia descontos irregulares de mensalidades associativas em benefícios previdenciários, sobretudo em aposentadorias e pensões. A CGU também apura, desde 2023, o aumento expressivo no número de entidades conveniadas e nos valores retidos. Auditorias foram realizadas em 29 entidades com acordos de cooperação técnica com o INSS, além de entrevistas com 1,3 mil aposentados que relataram descontos em folha.
Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Seja o primeiro a comentar esta matéria.