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Secretário-geral da ONU defende diálogo com talibãs

Guterres diz que é preciso evitar colapso econômico no Afeganistão.

Dean Calma | IAEA

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, pediu que a comunidade internacional mantenha “diálogo” com os extremistas islâmicos do Talibã.

“É preciso manter um diálogo com os talibãs, no qual afirmamos os nossos princípios de forma direta, no sentido de solidariedade com o povo afegão”, declarou Guterres nesta última quinta-feira (9), em entrevista à agência de notícias France-Presse.

“Nosso dever é estender a solidariedade a um povo que sofre enormemente, onde milhões e milhões estão em risco de morrer de fome”, acrescentou.

De acordo com ele, “os talibãs devem estar envolvidos, para que o Afeganistão não seja um centro de terrorismo, para que mulheres e jovens não percam todos os direitos adquiridos durante o período anterior, para que os diferentes grupos étnicos se sintam representados”.

Nos contatos mantidos até agora, “há pelo menos receptividade para falar”, garantiu o ex-primeiro-ministro português, que não excluiu a possibilidade de visitar um dia o país se as condições forem adequadas.

A ONU quer um “governo inclusivo”, no qual a sociedade afegã esteja amplamente representada e “este primeiro governo provisório”, anunciado há alguns dias, “não dá essa impressão”.

“É preciso respeito pelos direitos humanos, pelas mulheres e jovens. É preciso que o terrorismo não tenha base no Afeganistão para lançar operações em outros países e é preciso que os talibãs cooperem na luta contra a droga”, reiterou.

A entidade também quer que o Afeganistão possa “ser governado em paz e com estabilidade, com respeito pelos direitos humanos”, disse Guterres.

De sua parte, os talibãs “querem ser reconhecidos, querem o fim das sanções, apoio financeiro e isso dá à comunidade internacional alguma influência”, acrescentou.

Segundo o secretário, o governo provisório talibã ainda não foi reconhecido internacionalmente, mas é preciso “evitar uma situação de colapso econômico que pode ter consequências humanitárias terríveis”.

É possível, tomando o exemplo do que aconteceu com o Iêmen, fornecer a Cabul “instrumentos financeiros”, independentemente das atuais sanções, “para permitir que a economia respire”, observou.

Para Guterres, “é do interesse da comunidade internacional medidas específicas para permitir que a economia afegã respire”.

Na terça-feira (7), os talibãs anunciaram um governo provisório para o Afeganistão, com veteranos de sua linha dura, que governou o país entre 1996 e 2001, e da luta de 20 anos contra a coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, que terminou em agosto.

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FALE COMIGO: marcos@conexaopolitica.com.br — editor-chefe do Conexão Política e natural de Campo Grande (MS).

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