O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, firmou um acordo de confidencialidade com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República, etapa inicial para uma negociação de delação premiada.
Vorcaro está preso na Superintendência da PF em Brasília e é investigado por fraudes contra o sistema financeiro. A frente de uma colaboração formal expõe a múltiplas autoridades dos três Poderes com quem o empresário manteve relações ao longo dos anos.

Políticos e autoridades de alto escalão dos três Poderes são citados em mensagens de WhatsApp extraídas pela PF do celular do banqueiro e enviadas à CPMI que investiga fraudes no INSS. A lista inclui o senador Ciro Nogueira, o presidente Lula, o ministro Alexandre de Moraes, os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, o deputado Aécio Neves e o ex-governador de São Paulo João Doria.
No âmbito do STF, os vínculos mapeados são variados. A advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes e sócia do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, recebeu R$ 80 milhões do Master por 22 meses de serviços prestados à instituição financeira.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppO contrato foi firmado em abril de 2025. Moraes negou que as mensagens encontradas no bloco de notas do celular de Vorcaro tenham sido enviadas a ele.
O ministro Dias Toffoli foi relator do caso Master no STF de 28 de novembro de 2025 a 12 de fevereiro de 2026. A Maridt Participações, empresa do ministro e de seus irmãos, detinha um terço da propriedade do resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, e vendeu parte dessa participação para o fundo Arleen, controlado pela Reag, administradora ligada ao Master, em setembro de 2021.
Toffoli afirmou em nota que nunca recebeu diretamente valores de Vorcaro e que só se tornou relator do caso Master após a venda da participação. Ele se declarou suspeito para julgar a prisão de Vorcaro em 11 de março de 2026.
O Estado de S. Paulo reportou que o Master pagou R$ 6,6 milhões à empresa Consult Inteligência Tributária, que teria contratado os serviços do advogado Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques. O advogado, por sua vez, afirmou ter prestado serviços de advocacia na área tributária e que não representou o cliente no STF.
O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski admitiu ter feito consultoria jurídica para o Master após se aposentar do STF, sem especificar o período.
No Executivo, o economista Guido Mantega, ministro da Fazenda de 2006 a 2015, fez lobby para o Master no governo Lula. No último encontro documentado, em 4 de dezembro de 2024, Mantega estava acompanhado de Vorcaro.
Ao final, ambos pediram para ser recebidos por Lula, que concordou. A reunião ocorreu no gabinete presidencial com ministros e Gabriel Galípolo, então diretor do Banco Central.
André Mendonça, junto a ala mais alinhada a ele próprio no Supremo, avaliam que a condução conjunta da delação pela PF e pela PGR deve conferir mais controle ao processo, evitar vazamentos e dificultar qualquer tentativa de ocultar fatos que venham a ser revelados pelo banqueiro.
Na Corte, é esperado que a colaboração, de fato, trate de relações com integrantes do Judiciário, do Legislativo e do Executivo, além de empresários e operadores financeiros.
A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou requerimento pedindo medidas extraordinárias de proteção para Vorcaro. O parlamentar autor do pedido argumentou que tanto antigos associados quanto terceiros com interesse em manter fatos ocultos, inclusive autoridades dos três Poderes, podem ter o empresário como alvo.
O acordo foi autorizado por Mendonça, que é o relator do inquérito do Banco Master no STF.
Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Seja o primeiro a comentar esta matéria.