O Ministério da Agricultura revogou nesta sexta-feira (28) a portaria que determinava a marcação da data de validade na casca dos ovos. A norma entraria em vigor no próximo dia 5 de março, mas foi suspensa para novas discussões com o setor produtivo e a sociedade civil.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e ocorre em meio ao aumento do preço dos ovos, que intensificou críticas à medida. Pequenos produtores alertavam que a exigência poderia inviabilizar suas operações, devido ao custo para se adequar à regra.
Alta nos preços
O aumento do preço dos ovos no Brasil foi impulsionado por três fatores principais:
- A gripe aviária nos Estados Unidos, que reduziu a produção americana e aumentou as exportações do Brasil;
- A proximidade da Quaresma, período em que a demanda por ovos tradicionalmente cresce;
- A repercussão negativa da nova exigência, com temor de que afetasse principalmente os pequenos produtores.
Pressão política
O tema ganhou repercussão nas redes sociais e gerou um movimento de oposição no Congresso Nacional. A bancada do Partido Novo na Câmara dos Deputados chegou a apresentar um projeto de decreto legislativo para suspender a portaria, argumentando que a regra feria princípios de liberdade econômica.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppA portaria havia sido publicada em setembro de 2023, com um prazo de adaptação de 180 dias antes de sua entrada em vigor. Inicialmente, a medida não gerou grande repercussão, mas tornou-se alvo de polêmica com a recente escalada nos preços dos ovos.
Governo mantém intenção de regulamentação futura
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, defendeu a marcação da validade como uma prática internacional e indicou que a regra pode ser retomada no futuro.
“O mundo inteiro adota a tecnologia do carimbo, com o ovo já saindo da granja com o prazo de validade marcado”, afirmou Fávaro na semana passada.
Segundo ele, a suspensão foi uma “alternativa momentânea” para permitir que os pequenos produtores se adaptem gradualmente antes da obrigatoriedade.
A revogação da medida se aplica a todos os produtores, e o governo deve realizar novas discussões antes de tomar uma decisão definitiva sobre a exigência.