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Áudio atribuído a sindicalista aponta articulação para adesivar ônibus no segundo turno em Salvador

Gravação orienta integrantes da CTB a distribuir material nas garagens e priorizar veículos que circulariam no dia da votação; sindicato rejeita responsabilidade pela retenção dos coletivos.

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Um áudio atribuído ao presidente do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, Fábio Primo, descreve uma mobilização para colocar adesivos eleitorais nos ônibus da capital baiana durante o segundo turno, realizado no domingo (25). Divulgada pela imprensa local, a gravação contém orientações para integrantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) distribuírem materiais nas garagens e identificarem os veículos que entrariam em circulação.

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Na gravação, o interlocutor atribui à CTB a responsabilidade pela atuação nas garagens e distribui tarefas entre participantes identificados por nomes e apelidos. São mencionadas as unidades G2, G5 e G6, com indicação de responsáveis pelo recebimento e repasse dos materiais. Como a quantidade de adesivos seria insuficiente para toda a frota, a orientação era consultar os operadores para selecionar apenas os coletivos escalados para sair. Também há instrução para colocar um adesivo na parte dianteira de cada ônibus, próximo ao lado do passageiro, sem comprometer a visão do motorista.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, afirmou nesta sexta-feira (30) que o áudio indicaria uma ação coordenada em diferentes garagens. Segundo ele, a adesivação atrasou a saída dos veículos e o material será anexado à apuração do caso. A Prefeitura sustenta que a operação seguiu o planejamento do primeiro turno e atribui parte dos transtornos à retirada da propaganda. A Justiça Eleitoral proíbe propaganda eleitoral em veículos que prestam serviços públicos, incluindo ônibus do transporte coletivo urbano. 

Em nota, o Sindicato dos Rodoviários repudiou tentativas de responsabilizar a entidade pela retenção dos ônibus sem apresentação de provas. A organização afirmou que sua atuação busca defender os trabalhadores, os direitos democráticos e a transparência, e pediu uma apuração séria. Conforme a reportagem do Metrópoles, o comunicado não esclareceu diretamente o conteúdo da gravação nem detalhou a participação de Fábio Primo na mobilização descrita.

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Segundo o governo da Bahia, uma fiscalização do Procon encontrou 944 ônibus parados em garagens, enquanto eleitores relatavam dificuldades para chegar aos locais de votação. O órgão informou que a maioria dos veículos inspecionados não apresentava adesivos eleitorais e que não havia equipes de plantão nas empresas. A Procuradoria-Geral do Estado apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Federal, solicitando a investigação de possíveis responsabilidades do prefeito Bruno Reis, de Pablo Souza e dos sócios das concessionárias. 

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, por sua vez, encaminhou o caso à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal para apurar possíveis crimes relacionados à redução do serviço. A Corte também determinou a preservação de escalas de motoristas, registros de monitoramento da frota, ordens de serviço e comunicações internas. A ordem de prisão expedida contra o secretário de Mobilidade durante a votação foi posteriormente revogada; ele não chegou a ser detido.

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