O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e a esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, foram filmados desembarcando de um jatinho ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As imagens foram divulgadas neste domingo (20) pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo.
O voo ocorreu em 22 de agosto de 2025 e terminou no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O casal aparece deixando um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, enquanto um segurança retira duas malas da aeronave. Segundo a reportagem, o avião pertencia oficialmente, naquele período, a uma empresa ligada a Vorcaro. O vídeo e os dados do voo foram reproduzidos pelo Brasil 247.

O registro foi feito cerca de três meses depois da negociação de um contrato de até R$ 50 milhões entre a Viking Participações, representada por Vorcaro, e o escritório de Viviane. Um relatório da Polícia Federal e documentos anexados ao processo apontam que o acordo teria sido assinado em 12 de maio de 2025, com previsão de prestação de serviços jurídicos durante três anos.
A defesa do escritório, entretanto, nega que esse segundo contrato tenha sido efetivamente firmado. Moraes também declarou que nunca viajou em aviões pertencentes a Vorcaro. Em nota divulgada pelo STF em abril, o ministro afirmou que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro” e, procurado novamente, manteve essa versão.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppOs documentos atribuídos à investigação indicam que R$ 40 milhões do contrato seriam pagos por meio de participações em duas empresas ligadas a aeronaves. Uma delas era proprietária do Legacy 650 e a outra estava adquirindo um helicóptero Airbus EC 155 B1. Os R$ 10 milhões restantes seriam usados para ressarcir despesas relacionadas aos voos e à aquisição dos equipamentos. O acordo também previa a possibilidade de uso das aeronaves desde sua assinatura. Os termos constam de relatório da PF e de contratos anexados aos autos.
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro reforçam, segundo a Polícia Federal, a indicação de que as aeronaves estavam sendo disponibilizadas à família. Em uma conversa de julho de 2025, um empresário responsável pela administração dos equipamentos informou ao banqueiro que aviões e helicópteros já haviam sido utilizados. Em outro diálogo, Viviane respondeu que estava satisfeita com a utilização das cotas. A PF também identificou uma ocasião em que Vorcaro teria determinado que uma viagem de Viviane fosse priorizada.
O contrato de R$ 50 milhões é diferente do acordo firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. Esse primeiro documento previa 36 pagamentos mensais de R$ 3 milhões líquidos, totalizando R$ 108 milhões se fosse integralmente cumprido. O valor bruto, com impostos, foi estimado em aproximadamente R$ 131 milhões.
A divulgação do vídeo coloca sob questionamento a versão apresentada por Moraes, mas não comprova, isoladamente, que a aeronave fosse propriedade pessoal de Vorcaro. O ponto central a ser esclarecido é a relação societária entre o banqueiro, a empresa proprietária do jatinho e o modelo de compartilhamento das cotas, além da possível vinculação do uso da aeronave ao pagamento dos serviços jurídicos.
Também permanece em disputa a existência do contrato de R$ 50 milhões. Enquanto os documentos citados pela Polícia Federal apontam que o acordo foi assinado e detalham sua forma de pagamento, Moraes e a defesa do escritório de Viviane sustentam que o negócio nunca foi concluído.