O número de mortos nos protestos que atingem o Irã desde o final de dezembro de 2025 ultrapassou a marca de 500, segundo dados da Hrana (Human Rights Activists News Agency), aos quais a Reuters teve acesso. A planilha divulgada pela entidade registra 490 manifestantes mortos e 48 integrantes das forças de segurança, além de cerca de 10 mil pessoas presas durante as semanas de mobilização.
A onda de protestos teve início após o agravamento da crise econômica iraniana, marcada por inflação elevada, forte desvalorização do rial e aumento expressivo no preço de produtos essenciais. Ao longo dos dias, as manifestações ganharam caráter político, com grupos reivindicando reformas no sistema judiciário, maior liberdade civil e mudanças estruturais no regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
Estrutura do regime
Khamenei governa o país desde 1989 como líder supremo, autoridade máxima da teocracia xiita, com controle sobre os poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, forças armadas e órgãos estratégicos do Estado. O regime, fundamentado na Sharia (lei islâmica), adota restrições severas às mulheres, como obrigatoriedade do hijab a partir dos 9 anos e exigência de autorização do marido para viagens internacionais.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppA oposição iraniana permanece fragmentada, distribuída entre monarquistas radicados no exterior, militantes da Organização dos Mujahideen do Povo (MEK), minorias étnicas marginalizadas e movimentos civis que enfrentam repressão constante. Não há liderança unificada capaz de coordenar os protestos.
Bloqueio de comunicação
O governo iraniano intensificou o controle sobre a comunicação interna após Khamenei classificar os manifestantes como “sabotadores”. Desde então, o acesso à internet tem sido cortado em diversas regiões, dificultando o envio de imagens, depoimentos e atualizações sobre confrontos. Ainda assim, a Hrana afirma que conseguiu documentar disparos com armas de fogo, uso de gás lacrimogêneo, munição de espingarda de chumbo e ameaças judiciais contra manifestantes detidos.
Embora o bloqueio atinja a maior parte da população, meios de comunicação estatais e veículos alinhados ao regime seguem publicando relatos e vídeos que atribuem aos manifestantes atos de violência e destruição de propriedade, reforçando a narrativa oficial de que os protestos representam uma ameaça à segurança nacional.
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