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Coluna

O choro é livre, Maju? A fome, o desemprego e a depressão também são!

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em

Filipe Altamir
Divulgação | Conexão Política

Em apoteose da insensibilidade e completamente desprovida de empatia, a apresentadora Maju Coutinho manda um “o choro é livre” diante das medidas radicais de isolamento após um enorme lapso temporal. O Brasil está sentindo os fortes efeitos da pandemia? Sim, mas existe uma grande janela de oportunidade para investir em mais leitos e aprimorar a estrutura hospitalar como medida preventiva. O choro parece ser livre, mas o cidadão de bem continua preso no desemprego; preso diante da fome e completamente desprovido de liberdade para colocar comida na despensa. Não resta mais liberdade individual para o cidadão brasileiro a não ser chorar e lamentar os impropérios provenientes da classe artística, do jornalismo militante e dos falsos profetas da falsa ciência.

Não posso evitar fazer aquele velho jogo imaginativo e hipotético em cima disso: e se fosse Bolsonaro proferindo um “o choro é livre” diante de um recorde de mortos por coronavírus anunciado diante dele? Isso provavelmente moveria toda a estrutura narrativa e militante cibernética, com elevação ostensiva de hashtags nas redes sociais, pronunciamentos e notas de repúdio, além de manchetes lacradoras e mais uma campanha por impeachment.

Não vai demorar muito também para a esquerda militante iniciar sua operação de passar pano invocando as cartas do baralho do vitimismo. Vão ignorar a insensibilidade da Maju e com certeza vão operar com a retórica de que ela está sofrendo ataques racistas e misóginos, pois é assim que a esquerda responde quando um dos seus cometem os erros. As maiores barbaridades dos seus bajuladores são atenuadas com uma retórica vitimista que adorna todo o sentimentalismo tóxico característico no modus operandi da militância e do virtuosismo retórico da esquerda.

A Maju vomitou um “o choro é livre” como se a medida de isolamento radical fosse a única resposta diante de um caos generalizado cujas proporções só alcançaram esse patamar graças à leniência difuso de governadores e prefeitos. Avisamos aqui que as eleições e o estranho silêncio catacumbal sobre o aumento de contaminações durante as carreatas, aglomerações durante as votações e comícios promoveriam. Essa janela silenciosa foi crucial para uma nova onda de contaminação que se alastrou pelo país inteiro, transmutando-se na sua forma mais agressiva e contagiosa. Enquanto isso os nossos ilustres governadores e prefeitos receberam aportes econômicos estrondosos do governo federal e em nada investiram.

O lockdown defendido com tanto afinco pela Maju como uma medida ‘necessária e inevitável’ segue completamente desprovido de comprovação de eficácia, ao contrário do que ela tenta passar. A Argentina passou pelo mais longo e radical lockdown da história e continuou enfrentando picos e recordes de contaminação e óbitos por covid-19. Reino Unido, Itália, Bélgica e outros países também aplicaram o bloqueio total de atividades e são recordistas em contaminação e óbitos por milhão de habitantes.

Suécia, Taiwan, Japão, Coreia do Sul e até mesmo países africanos resolveram adotar um caminho mais sensato: encarar o vírus como um gigantesco problema de saúde pública sem sacrificar a economia. Os resultados são incomparavelmente melhores que os países mais desenvolvidos líderes em lockdown.

O vocabulário militante é bastante claro. Quando falam em ‘ciência’, eles querem dizer que vale apenas os cientistas preferidos, num esquema de cherry peacky, daqueles estudos e pesquisadores que estão mais alinhados à visão de mundo do intelectual ungido e da classe iluminada do “fique em casa”. No mundo pseudocientífico dessa turma, não existe confrontação de teses, falseabilidade e plena dissonância com inúmeros estudos sendo publicados. Só aqueles favoritos são escolhidos para embasar a visão de mundo encantada do isolamento radical.

Escritor formado em Direito, conservador e analista político.