Imagens obtidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e que mostram dezenas de pessoas em fila para participar de um curso de operação de drones, oferecido por traficantes no Complexo da Penha, na Zona Norte da cidade, tem repercutido no Brasil e no exterior. O registro, feito há cerca de duas semanas, integra as investigações sobre o avanço do uso desses equipamentos pelo crime organizado no Estado.
Segundo a polícia, os drones, que eram usados principalmente para monitoramento de território e da movimentação policial, passaram a ser adaptados para transportar e lançar granadas em ataques contra grupos rivais. A capacitação flagrada no Complexo da Penha é vista pelos investigadores como um indício de que o manuseio dos equipamentos deixou de ser restrito a poucos integrantes das facções.

“Hoje o drone não é usado só pela facção. Qualquer criminoso vai fazer o emprego desse drone porque ele traz uma vantagem estratégica, ele ganha olhos no céu”, disse o policial Marcos Motta, da Coordenadoria de Operações Aéreas e Náuticas (Coant).
O risco provocado pelos voos irregulares rompeu as disputas entre criminosos. Equipamentos já foram vistos em áreas próximas às rotas utilizadas por helicópteros e aeronaves que operam no Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, o que também levanta preocupação para a segurança aérea da região.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppO caso mais recente de ataque com o equipamento se deu na comunidade do Canal, em Vargem Grande, quando criminosos usaram um drone equipado com uma granada contra rivais; o explosivo atingiu um trailer, sem deixar feridos. Segundo a Polícia Militar, o drone partiu da cobertura de um prédio alugado por traficantes no Recreio dos Bandeirantes e percorreu cerca de dois quilômetros em poucos segundos até o alvo, sobrevoando um terreno vazio, o Rio Morto e áreas residenciais. Dois suspeitos de participação no ataque foram presos, e a polícia apreendeu dinheiro, o drone usado na ação e outras granadas de fabricação caseira.
De acordo com o Disque-Denúncia, os relatos envolvendo drones com explosivos cresceram de forma nos últimos anos. O primeiro registro do tipo ocorreu em 2023; em 2024, foram quatro denúncias; em 2025, o número saltou para 73 relatos envolvendo traficantes e outros 14 relacionados a milicianos. A Polícia Civil investiga atualmente 18 ocorrências de bombas lançadas por drones no Estado, mas suspeita que o número real seja maior.
O material da reportagem também repercutiu na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Em discurso na tribuna, a deputada estadual Índia Armelau (PL) criticou a iniciativa dos criminosos. “Nunca foi pela minoria, para colocar no mercado de trabalho. Foi apenas para fortalecer o tráfico, para o drone atingir o rival”, afirmou a parlamentar.
Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Seja o primeiro a comentar esta matéria.