O endividamento das famílias de menor renda, parcela do eleitorado historicamente mais fiel ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tornou-se um dos principais riscos para a economia brasileira a partir de 2027, segundo economistas ouvidos por diferentes veículos. Estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que, entre beneficiários do Bolsa Família, o comprometimento da renda com dívidas superou 30% no fim de 2024, patamar considerado elevado para famílias de baixa renda.
Com base na mesma análise, o crédito rotativo do cartão de crédito cresceu 32,7% em 12 meses, com taxas de juros que podem ultrapassar 400% ao ano, modalidade usada principalmente por famílias de classe média e baixa renda. Além do cartão, bancos têm oferecido “crédito sem garantia” por aplicativo a correntistas de baixa renda, incluindo aposentados que já comprometem parte do salário com empréstimo consignado, sem exigir ida à agência ou assinatura de contrato físico.

Economistas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV Ibre) avaliam que o conjunto de medidas de estímulo à economia e aos programas sociais adotado às vésperas da eleição de 2026 cria condições insustentáveis para os cofres públicos a partir de 2027. “A economia brasileira apresenta uma das piores combinações entre nível de endividamento e crescimento do PIB”, afirmam os pesquisadores da instituição.
A dívida pública bruta do país, que estava em 71,7% do PIB em dezembro de 2022, já havia avançado para 77,5% em julho de 2025, segundo o Banco Central. A Instituição Fiscal Independente (IFI) projetava, em outubro do ano passado, que o indicador chegaria a 82,4% do PIB até o fim de 2026, enquanto o mercado financeiro já apontava, na época, para uma mediana de 84%.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppPara Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Wealth Management, existe uma tensão entre a política de juros do Banco Central e a política fiscal do governo, que, sem um plano crível de controle do endividamento, pode levar o país a uma armadilha fiscal em 2027. Ainda conforme o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a proximidade das eleições tende a restringir ainda mais os cortes de gastos públicos. “As eleições praticamente limitam os cortes de gastos ao primeiro semestre”, emendou.
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