O governo sueco está criando uma nova agência destinada a monitorar e combater operações psicológicas (psyops) dirigidas contra o país – não apenas de outros países, mas também de dentro da Suécia.
A nova Autoridade de Defesa Psicológica terá a tarefa de salvaguardar “a livre formação de opinião” na Suécia contra as operações psicológicas e oferecerá às pessoas uma “imagem diferente” do país daquela que o “oponente” deseja transmitir, de acordo com o site Samhällsnytt.
A criação da Autoridade de Defesa Psicológica é o resultado de uma investigação que foi anunciada pela primeira vez em 2018, pelo atual primeiro-ministro de esquerda da Suécia, Stefan Löfven, dos socialdemocratas. Anders Danielsson, ex-chefe do Conselho de Migração da Suécia, foi nomeado para liderar a investigação. Concluiu que é necessário “apoiar, fortalecer e coordenar a resiliência geral da sociedade em termos de defesa psicológica” contra operações psicológicas realizadas por adversários estrangeiros e domésticos. Está sob a jurisdição da Agência Sueca de Contingências Civis (MSB).
Samhällsnytt obteve alguns e-mails internos enviados por funcionários da MSB em janeiro de 2019, que mostram que a Autoridade de Defesa Psicológica terá poderes para restringir a liberdade de imprensa e opinião, aumentando o poder do Estado sobre eles. Também trabalhará em estreita colaboração com as agências de inteligência do país.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppA tarefa da Autoridade de Defesa Psicológica será “identificar, analisar e confrontar influência indevida de informações e outras informações enganosas direcionadas à Suécia ou aos interesses da Suécia”. Uma das maneiras de conseguir isso é “ajudando as empresas de mídia a identificar, analisar e responder a impactos indevidos das informações”.
A missão da Autoridade de Defesa Psicológica será “salvaguardar uma sociedade aberta e democrática, educação gratuita e a liberdade e independência da Suécia”, segundo Danielsson. “Os valores [da Suécia] estão sendo sujeitos a influência indevida de potências estrangeiras para criar divisões. Isso pode levar à perda de confiança na democracia e menor participação dos eleitores.” Ele citou que ataques cibernéticos e esforços para influenciar políticos, instituições, empresas, jornalistas e pesquisadores suecos, como os do tipo de operações psicológicas, é que serão combatidos pela Autoridade de Defesa Psicológica. Isso pode vir na forma de divulgação de “rumores e outras formas de informações enganosas”.
Para esse fim, a investigação propôs que a Autoridade de Defesa Psicológica incluísse um centro nacional de defesa psicológica que trabalhasse para combater essa influência nas informações na Suécia. O governo sueco espera implementá-lo até 2022.
A Autoridade de Defesa Psicológica, como é descrita, pode potencialmente se tornar uma ameaça à liberdade de expressão e ao processo democrático, no entanto, uma vez que é uma agência governamental com poderes para determinar o que é “impacto indevido da informação”, o que é “informação enganosa” e o que são “interesses suecos”. Assim, o potencial de uso indevido contra aqueles que discordam do ponto de vista do governo sueco parece considerável.
Segundo o Voice of Europe, vários governos da Europa Ocidental, alarmados com a ascensão da direita nos últimos anos, vêm sugerindo restrições à liberdade de expressão para combater o que eles afirmam ser “ideias antidemocráticas”.
No ano passado, a chanceler alemã Angela Merkel disse paradoxalmente que a liberdade de expressão deve ser limitada para manter uma sociedade livre.
Fonte: Voice of Europe.