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Prefeitura do Rio cria núcleo permanente contra furto e receptação de cabos

Iniciativa reúne órgãos municipais, estaduais e concessionárias para combater a criminalidade e fiscalizar estabelecimentos que compram materiais de origem ilegal.

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Nesta semana, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou uma nova frente conjunta com as forças de segurança estaduais para tentar conter o avanço dos furtos de cabos na cidade, prática criminosa que vem aumentando cada vez mais.

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O Núcleo Integrado e Permanente de Combate a Furtos e Receptação de Cabos vai reunir órgãos municipais, estaduais e empresas concessionárias em ações de investigação, fiscalização e combate à receptação. A apresentação da iniciativa ocorreu no Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), com a participação do prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), representantes da área de segurança e integrantes das concessionárias que dependem das redes de cabeamento espalhadas pelo município.

Foto: Cadu Barbosa/Pref Rio

A ideia é cruzar informações de diferentes órgãos para identificar os pontos mais atingidos e os períodos em que os crimes ocorrem com maior frequência. Além de tentar impedir a retirada dos cabos, a força-tarefa pretende atuar sobre quem compra, guarda ou revende o material, ampliando a fiscalização sobre estabelecimentos suspeitos de receber produtos furtados.

Um exemplo do impacto desse problema foi apresentado pela CET-Rio. Para se ter uma ideia, o cruzamento da Rua Valdir Amaral com a Boulevard 28 de Setembro, na Grande Tijuca, acumulou 87 ocorrências no mesmo semáforo ao longo de 2026. Na prática, o equipamento foi alvo de furto, em média, a cada três dias, causando interrupções recorrentes no funcionamento do sinal.

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A Grande Tijuca aparece como a região mais afetada. Cerca de um quarto dos furtos de cabos e equipamentos de sinalização registrados no Rio neste ano ocorreu na área. Segundo os dados apresentados, foram retirados 116 quilômetros de cabos e 144 controladores semafóricos, com prejuízo calculado em mais de R$ 8 milhões. Entre os locais mais atingidos estão a Rua 24 de Maio, a Avenida Marechal Rondon e a Boulevard 28 de Setembro, além de vias do Cachambi e do Méier.

Uma das estratégias adotadas pela prefeitura será mudar o próprio material utilizado na infraestrutura. Os novos cabos laranja que começaram a ser instalados possuem cobre, mas em uma quantidade reduzida, diminuindo o interesse comercial para quem pratica o furto. A administração municipal também prevê outras medidas de proteção, como caixas sem valor de revenda, dispositivos antifurto, concretagem e soldagem das caixas de passagem.

O município estima que tenha perdido mais de R$ 69 milhões entre 2021 e 2026 com o desaparecimento de cabos pertencentes à CET-Rio e à RioLuz. Na primeira etapa da substituição, nove dos 54 cruzamentos previstos já receberam a nova estrutura laranja. Ao todo, serão 14 quilômetros de cabeamento, com conclusão estimada para as próximas seis semanas.

A repressão à receptação também já começou. Dois ferros-velhos localizados em Sampaio, na Zona Norte, foram alvo das primeiras ações anunciadas pela prefeitura. Um deles foi desapropriado, enquanto o outro ocupava uma área pública que deverá retornar ao município. Os dois estabelecimentos tiveram os respectivos alvarás cassados.

De acordo com o prefeito Cavaliere, há outras dezenas de ferros-velhos que poderão entrar na mira das fiscalizações e já estão mapeados. Os locais estão sujeitos a medidas como interdição e apreensão de materiais. “A gente vai avançar para todos os ferros-velhos ilegais, que são as áreas que dão a sustentação para esse tipo de crime acontecer em escala”, disse o prefeito.

No âmbito estadual, a Polícia Civil informou que mantém desde 2024 a Operação Caminhos do Cobre, voltada justamente para investigar a cadeia de furtos e a comercialização dos materiais retirados ilegalmente. Segundo o delegado Clemente, mais de 600 fiscalizações foram realizadas e 280 responsáveis por estabelecimentos acabaram presos. As investigações também resultaram, conforme informado pelo delegado, no bloqueio judicial de R$ 240 milhões.

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