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Na ofensiva contra Mendonça, Moraes usa relatório da PF com sinais de inteligência artificial

Documento citado por ministro para pedir investigação contra colega não tem assinatura e se define como ‘sem caráter decisório e sem valor probatório’.

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Nesta quinta-feira (3), um relatório de inteligência anexado pelo ministro Alexandre de Moraes para sustentar acusações contra André Mendonça chamou a atenção pelo estilo de redação e pela forma como suas análises foram organizadas de forma incomum para um documento jurídico. O material apresenta características que podem indicar o uso de inteligência artificial em sua elaboração.

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Com cerca de 50 páginas, o documento se chama “Relatório de Inteligência – Tópico de Análise de Cenário” e traz uma estrutura bem diferente do padrão utilizando pela PF. Ele divide as informações em fatos, avaliações e hipóteses, além de dar notas de confiança para cada conclusão, usando termos como “ALTA”, “MODERADA” e “BAIXA”. O documento está disponível na íntegra neste link.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em um trecho, ele lista possíveis motivos para uma decisão de Mendonça e mede o quanto cada ideia faz sentido com as provas que existem. O texto repete esse modelo ao longo das páginas, testando hipóteses uma a uma e avaliando o grau de certeza de cada uma.

As palavras utilizadas no documento reforçam essa impressão. O arquivo traz termos como “hipótese alternativa que não pode ser descartada”, “elemento adicional de desproporção”, “distinção decisiva” e “tensão interna da própria decisão”. Esse tipo de vocabulário lembra bastante os textos gerados por inteligência artificial.

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As tabelas do documento seguem o mesmo estilo. O relatório cruza dados, compara ideias opostas, indica níveis de risco e mede os possíveis impactos de cada situação. Há até uma parte com uma lista de frases numeradas, cada uma acompanhada pelo seu “nível de confiança”.

Outro ponto fora do comum é a preocupação em medir a certeza do próprio texto. Em vez de só dar um parecer jurídico, os autores mostram quando acham que algo está provado e quando tratam uma ideia com mais cuidado, pontuando até mesmo as suas próprias conclusões como de confiança “baixa”, “média” ou “alta”.

Oficialmente, o relatório não menciona nenhuma ferramenta desse tipo nem afirma ter recebido ajuda de IA. Para ter certeza, seria preciso analisar dados técnicos do arquivo, como o histórico de criação e edição, os famosos metadados.

O foco principal do documento é a atuação de André Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero, ambas da PF. O relatório analisa até mesmo o tempo que o ministro levou para responder aos pedidos da Polícia Federal, como lidou com dados sobre outros ministros do STF e possíveis conexões políticas.

Mesmo com esses poréns, Moraes usou o material em sua decisão contra Mendonça. Ele afirmou que há “fortes indícios” de irregularidades na conduta do ministro e pediu providências ao presidente do STF, Edson Fachin, que abriu um procedimento para apurar o caso e cobrou explicações de todos os envolvidos.

No fim das contas, o que mais se destaca no relatório não são apenas as acusações contra Mendonça, mas a forma como ele foi escrito. O uso de frases padronizadas, jargões, dualismos de “não é X, é Y”, notas de confiança, tabelas e testes de cenários é muito parecido com o trabalho de sistemas de inteligência artificial. O Conexão Política pediu esclarecimentos ao STF, mas não houve resposta.

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