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Lula não assinou a Constituição e agora ataca a democracia

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Durante uma visita à Argentina nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em alto e bom som, que houve um “golpe de Estado” no Brasil em 2016 que acabou por derrubar Dilma Rousseff (PT), então presidente da República.

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“Vocês sabem que, depois de um momento auspicioso no Brasil, quando governamos de 2003 a 2016, houve um golpe de Estado. Se derrubou a companheira Dilma com um impeachment, a primeira mulher eleita presidenta [sic] da República”, disse Lula, ao lado do presidente argentino Alberto Fernández.

Pois bem. Nesse ponto, é preciso compreendermos se o processo de impeachment é um golpe de Estado ou se é possível ter qualquer entendimento nessa linha.

O impeachment é um processo misto, sendo parcialmente jurídico e parcialmente político, conduzido pelo Congresso Nacional, que julga se uma pessoa com função pública cometeu o chamado crime de responsabilidade. No caso do chefe do Executivo federal, ele pode ser condenado por oito grupos diferentes de crimes de responsabilidade.

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Esse rito está previsto na Lei dos Crimes de Responsabilidade, a Lei 1.079/50, além do Artigo 85 da Constituição Federal. Ora, então haveria golpe constitucional? Não. Pela sua previsão legal e constitucional já percebemos que quem desmerece o impeachment ataca as instituições.

O processo de admissão do pedido de impeachment fica a cargo da Câmara dos Deputados, enquanto seu julgamento é de responsabilidade do Senado Federal. Além de tomar meses com direito à ampla defesa e ao contraditório, importante lembrar que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) é quem preside o julgamento junto ao Senado. Ou seja, tanto o Legislativo quanto o Judiciário fazem parte da ação.

Quando há um processo com ampla defesa, contraditório, previsão em lei e na própria Constituição, com participação da Câmara, do Senado e presidido pelo presidente do STF, certamente não temos um golpe. Temos, sim, o respeito ao Estado Democrático de Direito, coisa que o Sr. Lula parece não ter.

Ora, não é porque uma decisão lhe desagrada ou vai contra o seu projeto de poder que ela se torna um golpe. O processo de impeachment pode resultar em afastamento ou não. Se o resultado não lhe agrada é golpe? Isso é, sem dúvidas, um ataque às instituições e à democracia.

Presidente Lula, onde está o golpe? O processo ouviu Dilma? Estava previsto em lei e até na Constituição? Houve participação dos demais Poderes? Qual é o golpe? Caso o senhor não tenha respostas, suas palavras ferem a democracia e desrespeitam as instituições.

Quem foi o golpista? Os eleitos pelo povo no Congresso? O então presidente do STF, indicado em 2006 pelo senhor mesmo? Ou o então colega de chapa, que contribuiu em muito com os votos obtidos por Dilma, já que era um grande líder de um gigante partido brasileiro, o MDB?

Dê nomes aos bois, presidente. Quem ataca? Se a resposta for qualquer uma das questionadas por aqui, me perdoe, mas o senhor precisa conhecer a Constituição da República. Constituição essa que o senhor e o PT votaram contrariamente em 1988.

Viva o Estado Democrático de Direito! O povo tem direito ao impeachment! A vontade de um mandatário não pode estar acima da lei, da Constituição, do Congresso e do STF. Que Lula entenda que atacar as nossas instituições lá fora não é um direito dele. Ainda mais em tempos sombrios em que precisamos defender a democracia.


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