O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar nesta sexta-feira (26) para revogar a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam. A medida substitui a custódia por medidas cautelares alternativas, que serão definidas pelo juízo de primeira instância.
Oruam estava preso desde julho, acusado de tentativa de homicídio qualificado contra o delegado Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz, ambos da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Até a noite desta sexta-feira (26), a Secretaria de Administração Penitenciária do estado informou que não havia sido notificada oficialmente da decisão e que “aguardava a publicação nos canais competentes para adoção das medidas cabíveis”.
Em nota conjunta, os advogados do artista classificaram a prisão como ilegal e afirmaram que a liminar “restabelece a regra do processo penal: a liberdade”. As bancas FHC Advogados, Nilo Batista & Advogados Associados e Gustavo Mascarenha & Vinícius Vasconcellos Advogados sustentaram que “nunca existiram evidências acerca de cometimento de crime e tampouco acerca da necessidade da prisão provisória”.
Relator do recurso em habeas corpus, o ministro Joel Ilan Paciornik considerou que o decreto da 3ª Vara Criminal da capital fluminense se apoiou em “argumentos vagos”, sem demonstração concreta de risco de fuga ou de reiteração delitiva.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppO magistrado frisou que o réu é primário e se apresentou espontaneamente à Justiça, o que, segundo a jurisprudência do STF, afasta presunção de intenção de fuga. “A jurisprudência pacífica desta Corte Superior repudia a manutenção da prisão preventiva com base em fundamentação genérica, abstrata ou baseada em meras ilações”, escreveu Paciornik.
A prisão preventiva de Oruam foi decretada após uma operação da Polícia Civil em 21 de julho, no Joá, zona oeste do Rio de Janeiro. A ação cumpria mandado contra um adolescente apontado como ligado ao traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, do Comando Vermelho.
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