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Aliado de Lula, Petro diz não aceitar resultado da eleição na Colômbia que deu vitória a candidato de direita

Com 99% das urnas apuradas, De la Espriella tem 43,73% e Cepeda, 40,91%; Petro alega que software foi alterado três vezes e adicionou 800 mil eleitores inexistentes ao censo.

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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou neste domingo (31) que não aceita os resultados da pré-contagem do primeiro turno da eleição presidencial, divulgados pela Registraduría Nacional após o fechamento das urnas. Com 99,94% das mesas apuradas, o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella registrava 43,73% dos votos, contra 40,91% do senador Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico apoiado por Petro. Os dois vão ao segundo turno em 21 de junho. A senadora Paloma Valencia ficou com 6,92% e está eliminada.

“Como presidente, não aceito os resultados da pré-contagem”, escreveu Petro no X/Twitter. O presidente afirmou que só reconhecerá os dados das comissões escrutinadoras dirigidas pelos juízes da República, instância com validade jurídica formal, e classificou a pré-contagem como desprovida de “força vinculante”.

As alegações de Petro

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Petro alegou que o software de contagem utilizado pela empresa dos irmãos Bautista, responsável pelo processamento dos dados transmitidos pelas mesas, teve seus algoritmos alterados três vezes na última semana antes da eleição. Segundo ele, as alterações adicionaram 800 mil fichas de inscrição eleitoral de pessoas não incluídas no censo oficial, gerando dois censos distintos: o oficial da Registraduría e o do sistema privado. “As seções eleitorais demonstram que milhares de votos foram adicionados sem a existência de eleitores inscritos”, afirmou.

O presidente fez referência a um suposto relatório de inteligência mencionado por ele em abril de 2025, segundo o qual os irmãos Bautista teriam oferecido algoritmos para beneficiar De la Espriella durante a apuração. A equipe do candidato rejeitou as acusações quando foram feitas.

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O sistema eleitoral colombiano

A Colômbia não utiliza urna eletrônica. O voto é feito em cédula de papel, apurado manualmente nas mesas eleitorais e depois transmitido por sistema digital a um centro de computação nacional, modelo híbrido que combina registro físico com velocidade de apuração. A pré-contagem divulgada pela Registraduría é de caráter informativo e não tem validade jurídica. O resultado oficial depende do trabalho das comissões escrutinadoras, compostas por juízes, que consolidam os dados nas semanas seguintes ao pleito.

A reação de De la Espriella e de Cepeda

De la Espriella reagiu em discurso na noite do domingo em Barranquilla. “Defenderemos a democracia pela razão ou pela força”, declarou o candidato, que pediu a Petro que não desconhecesse o resultado. Cepeda, por sua vez, também pediu esclarecimentos sobre mesas com “votações atípicas” e afirmou que sua campanha ainda verificava os dados antes de se pronunciar definitivamente sobre o resultado.

O ponto político

A rejeição de Petro ao resultado ocorre após meses de campanha em que as pesquisas apontavam consistentemente Cepeda como favorito para liderar o primeiro turno. A inversão, com De la Espriella superando o candidato governista por cerca de três pontos percentuais, contrariou todas as principais sondagens publicadas antes da eleição. O presidente não apresentou, até o fechamento desta edição, evidências documentais das alegações sobre o software.

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