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Caso Deltan: Minority Report tupiniquim?

Este texto é um artigo de opinião.

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O deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos-PR) foi eleito com o voto de mais de 300.000 paranaenses. Esse resultado se deve ao seu nome, associado à já praticamente extinta Operação Lava Jato, que levou à prisão importantes políticos e empreiteiros. Naquela época, havia esperança.

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No entanto, na semana passada, Deltan teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a alegação de que era supostamente inelegível quando se candidatou em 2022, com base na Lei da Ficha Limpa.

Resumidamente, o TSE entendeu que Deltan seria inelegível de acordo com a Lei da Ficha Limpa, que estabelece que um membro do Ministério Público que tenha um processo administrativo (PA) aberto contra si quando se desliga do cargo é inelegível.

A jurisprudência do próprio TSE sempre foi no sentido de que não é possível uma interpretação ampliada desse tema. Em outras palavras, se não houver PA aberto no momento do desligamento, não há inelegibilidade, independentemente de haver alguma investigação ou análise em andamento.

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No filme Minority Report, estrelado por Tom Cruise, os criminosos são presos antes mesmo de cometerem o crime, com base nas visões de videntes. No final do filme, as intenções pessoais do criador desse sistema são expostas e o sistema é encerrado.

Da mesma forma, a decisão do TSE condena Deltan por uma suposta ação futura. Isso porque a decisão reconhece que, quando ele deixou o Ministério Público, não havia PA aberto, mas existiam cerca de 15 investigações em andamento que… poderiam se tornar procedimentos administrativos no futuro. Isso mesmo, poderiam! Futuro.

Em outras palavras, a decisão do TSE deixa de lado a interpretação restritiva da lei e adota uma visão ampliada, na qual existe a possibilidade de as investigações se tornarem PAs. No entanto, a lei é clara ao estabelecer que, caso não haja PA aberto no momento do desligamento do membro do Ministério Público, ele é elegível. Não há espaço para adivinhações sobre possíveis investigações que não sejam PAs.

Parece que temos uma espécie de Minority Report no Brasil, não é mesmo?

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