A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, utilizou as redes sociais nesta segunda-feira (13) para defender o Decreto nº 12.604, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que confere respaldo legal à atuação da primeira-dama Janja Lula da Silva junto ao Gabinete Pessoal da Presidência da República.
A medida, publicada em 28 de agosto de 2025, passou a ser criticada após parlamentares da oposição apresentarem projetos de decreto legislativo para tentar revogar parte do texto.
“Nada de errado, irregular ou ilegal”
Em postagem no X/Twitter, Gleisi declarou que “não há nada de errado, irregular e muito menos ilegal no decreto”, e sustentou que a norma “definiu parâmetros legais e deu transparência às atividades do cônjuge do presidente, sem criar novo cargo ou despesa”.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppA ministra ainda classificou as críticas como “perseguição política e preconceito” contra Janja, afirmando que a oposição “inventa factoides para desviar a atenção”. Em tom de apoio, emendou: “Força, Janja!”.
Reação da oposição
As manifestações de Gleisi ocorreram após os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, e Coronel Zucco (PL-RS), líder da oposição, protocolarem projetos de decreto legislativo para anular o artigo 8º do decreto assinado por Lula.
Segundo Sóstenes, a medida representa uma tentativa do presidente de “ampliar os poderes da primeira-dama com o intuito de promover sua imagem eleitoral às custas do dinheiro dos contribuintes”. O parlamentar também afirmou que Janja “não foi eleita para cargo público” e não deveria ocupar estrutura oficial.
Os projetos precisarão ser votados na Câmara e no Senado, e ainda não há data definida para a tramitação.
O que diz o Decreto nº 12.604
O decreto altera a estrutura administrativa da Presidência da República para permitir que o Gabinete Pessoal do presidente apoie formalmente o cônjuge no exercício de atividades de interesse público. O texto foi assinado por Lula, pelo ministro-chefe da Casa Civil Rui Costa e pela ministra da Gestão Esther Dweck.
Com isso, a atuação de Janja passa a contar com respaldo jurídico explícito, permitindo o uso da estrutura do gabinete — incluindo servidores comissionados, orçamento e equipe de apoio — para desenvolver ações institucionais.
Gabinete Pessoal da Presidência
O Gabinete Pessoal é o setor responsável pela organização da agenda e cerimonial presidencial, gestão de correspondências, discursos, acervo pessoal do presidente e conservação dos palácios oficiais.
Atualmente, o gabinete é chefiado pelo cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e conta com 189 cargos de confiança. Entre os setores subordinados estão a Ajudância de Ordens, o Cerimonial, o Gabinete Adjunto de Agenda e a Diretoria de Documentação Histórica.
Embora Janja não tenha cargo público oficial, ela já era assessorada informalmente por parte da equipe desde o início do atual mandato e sempre recebeu ‘tratamento VIP’ no Planalto, como já mostrou o Conexão Política em uma série de matérias. Se a resolução for mantida, sob aval do decreto de Lula, a atuação da primeira-dama terá estrutura de ‘aparato total’, com todos interesses formalizados dentro da Presidência da República.
Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Seja o primeiro a comentar esta matéria.