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Cai mais um do governo Lula

Caso envolve emendas destinadas à cidade administrada por elo familiar e contratos com empresas próximas.

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, por suspeita de participação em um esquema de desvio de verbas públicas por meio de emendas parlamentares. A investigação teve origem em reportagens do jornal O Estado de S. Paulo, que revelaram, em janeiro de 2023, o uso de recursos do chamado orçamento secreto para asfaltar uma estrada que passa pela fazenda da família do ministro, em Vitorino Freire (MA).

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Segundo a denúncia, quando ainda era deputado federal pelo União Brasil, Juscelino Filho direcionou recursos à prefeitura do município, então comandado por sua irmã, Luanna Rezende. Em troca, ele teria recebido propinas e favorecido empresas próximas em processos de contratação. A Codevasf, estatal controlada pelo Centrão, foi a responsável por operacionalizar a distribuição dos recursos.

O caso, sob relatoria do ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal (STF), está em fase sigilosa e física. A denúncia será analisada pela Primeira Turma da Corte, que decidirá se há elementos para instaurar uma ação penal. Trata-se da primeira denúncia formal apresentada pelo procurador-geral Paulo Gonet contra um ministro do atual governo.

Operação e auditoria

A denúncia deriva das investigações da Operação Benesse, deflagrada em setembro de 2023. Na época, Luanna Rezende foi afastada da prefeitura por decisão judicial. A Polícia Federal já havia indiciado o ministro em junho do mesmo ano, mas a PGR tem autonomia para avaliar e apresentar denúncia com base própria.

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Uma auditoria interna da Codevasf, concluída em maio, apontou irregularidades em obras realizadas com recursos de emendas indicadas por Juscelino Filho. Dois contratos, que somam quase R$ 9 milhões, foram analisados e apontaram pagamentos indevidos e falhas na execução de obras, incluindo a estrada que passa pela propriedade da família do ministro.

Defesa nega acusações

Em nota, os advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti, que representam Juscelino Filho, afirmam que o ministro “reafirma sua total inocência” e consideram o oferecimento da denúncia um instrumento “sem valor de culpa”.

A defesa alegou que o parlamentar apenas indicou as emendas, não tendo participação nos processos de licitação, execução ou fiscalização das obras. Também questionou o fato de a imprensa ter divulgado o caso antes da notificação oficial, o que consideraram como um “indício perigoso de retorno ao punitivismo”.

Os advogados afirmaram ainda que o caso não guarda relação com a atual atuação do ministro à frente das Comunicações, que, segundo eles, é pautada por transparência e eficiência.

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