A crise dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou mais um episódio nesta quarta-feira (9). O ministro André Mendonça, relator do caso Master, procurou o presidente da Corte, Edson Fachin, para reclamar da decisão de Flávio Dino que determinou o retorno imediato de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal (PF).
Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, confirmada pelo Conexão Política, Mendonça e integrantes de seu gabinete souberam da decisão de Dino pela imprensa. O ministro então telefonou diretamente para Fachin e pediu uma atuação da presidência do STF. Na conversa, Mendonça afirmou que a decisão de Dino era completamente ilegal.

Andrei havia sido afastado por Mendonça durante a investigação sobre possíveis relações entre autoridades e o banqueiro Daniel Vorcaro. Na decisão, o ministro determinou seu afastamento preventivo sob a acusação de que ele teria usado a estrutura de inteligência da PF para investigá-lo de forma ilegal. Na Segunda Turma, já havia maioria para manter a decisão de Mendonça.
Depois do afastamento de Andrei, o governo federal acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para tentar reverter a medida junto à presidência do Supremo. Ao mesmo tempo, Andrei apresentou um pedido diretamente a Flávio Dino em outro processo, que trata da destinação de emendas parlamentares relacionadas ao filme “Dark Horse” e não está sob a relatoria de Mendonça.
Receba notícias do Conexão Política no seu WhatsAppReceba notícias do Conexão no WhatsAppO diretor-geral alegou que sua saída do cargo poderia prejudicar investigações que estão em andamento e causar problemas no funcionamento das equipes da Polícia Federal. Dino aceitou o argumento na mesma hora e, por meio de uma decisão individual, determinou que Andrei retornasse imediatamente ao posto.
A sequência de decisões aumentou a tensão entre diferentes correntes ideológicas dentro do Supremo. Tudo começou depois que Mendonça retirou o sigilo e expôs ao Brasil as mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. O conteúdo levantou questionamentos sobre a relação entre o ministro e o banqueiro, levantando suspeitas de crimes como corrupção passiva e advocacia administrativa por parte do ministro do STF.
A primeira reação contra Mendonça partiu do próprio Moraes. Dois dias depois, ele recorreu ao inquérito das fake news para pedir que o colega fosse investigado por suposto abuso de autoridade. Fachin, porém, retirou Mendonça do caso e determinou que as partes fossem ouvidas antes de uma decisão definitiva.
Agora, a decisão de Dino representa uma nova frente de enfrentamento às medidas tomadas por Mendonça. O episódio deixa o STF diante de um cenário cada vez mais delicado, em uma guerra de liminares produzindo efeitos diferentes sobre a mesma situação envolvendo a Polícia Federal.