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Para competir com YouTube, Monark estreia podcast em plataforma usada por Trump

“As big techs detêm um monopólio”, afirma o influencer, recém-contratado da rede social Rumble.

Divulgação | Arquivo Pessoal

O Conexão Política entrevistou, com exclusividade, o influenciador Bruno Aiub, de 31 anos, mais conhecido como Monark, co-fundador do ‘Flow’, um dos maiores podcasts do país.

A fama de Aiub na internet começou a ser construída em 2010, ano em que iniciou a criar vídeos no YouTube sobre jogos de Minecraft. À época, o interesse do jovem era ajudar amigos e conhecidos, traçando dicas e estratégias com base naquilo que ele conhecia sobre o game.

Filho de uma psicóloga e de um analista de sistemas, Monark pôde encontrar nos pais o apoio necessário para sair de casa e escrever sua própria história. Em constante crescimento, tornou-se um dos maiores youtubers do país.

Em 2018, ao lado de Igor Coelho, o Igor 3k, criou um programa de entrevistas no estilo ‘conversa de bar’. Na atração, a dupla recebia personalidades dos mais variados segmentos.

Igor 3k e Monark, durante o programa Flow Podcast, em 2020. | Imagem: Fernanda Luz (Flickr)

Em pouco tempo, o novo formato adquiriu projeção e vários outros podcasts passaram a surgir em todo o Brasil a partir daquela mesma ideia: bate-papo informal, sem roteiro e com convidados diversificados.

Após muito trabalho, o plano deu certo. Poucos anos depois, a empresa Estúdios Flow recebeu reconhecimento, conquistou patrocinadores e contratou cerca de 80 funcionários.

O programa caiu nas graças do público pela habilidade de os entrevistadores transitarem por todos os espectros e matizes, com figuras renomadas como congressistas, ministros de Estado, juristas, jornalistas, autoridades e personalidades dos mais variados campos sociais.

A queda

Monark sempre foi considerado polêmico por não se alinhar a grupos ideológicos específicos nem estar ligado diretamente a uma ideia política. Isso o rendeu bons frutos, mas também lhe trouxe alguns apuros.

Por diversas vezes, declarações o fizeram ser ‘cancelado’ nas redes sociais. Esquerda, direita, centro… Ele conseguiu ‘incomodar’ diversos públicos e nichos em razão de seus posicionamentos.

Muito à vontade para debater com o entrevistado – se fosse o caso, Bruno Aiub já esteve envolvido em diversas polêmicas por conta de suas falas no ‘Flow’, em conversas que, muitas vezes, eram acompanhadas com algum tipo de bebida alcoólica.

Monark, em fevereiro, durante a declaração polêmica que o levou a deixar o programa. | Imagem: Reprodução

Mas as consequências foram ainda mais danosas quando, em um programa exibido em fevereiro, ao comentar sobre regimes radicais de esquerda e de direita, e ao tentar abordar o conceito de liberdade de expressão, Monark citou a possibilidade de existir “um partido nazista no Brasil, reconhecido por lei”.

O mundo caiu em sua cabeça. E ele reconhece a besteira que falou, afinal, pediu desculpas no seguinte. Mas já era tarde. Diversos patrocinadores abandonaram o programa, o YouTube puniu o canal de entrevistas com desmonetização e diversas entidades ligadas ao povo judeu repudiaram o discurso do apresentador.

Na ocasião, a Confederação Israelita do Brasil (CONIB) divulgou uma nota condenando de forma veemente a fala do influenciador. A Federação Israelita de São Paulo (FISESP) também se manifestou no mesmo sentido. Diversos contratos foram rompidos e Monark deixou a empresa que ele ajudou a criar e que detinha 50% das ações.

Recomeço

Desde a declaração controversa, Monark ficou afastado das redes sociais e passou a maior parte do tempo em casa. Tentou criar uma nova conta no YouTube, mas a plataforma o baniu e não autorizou a criação do perfil.

Mesmo com o pedido de desculpas, com medidas institucionais sendo implementadas, com o desligamento de Aiub do quadro societário do ‘Flow’ e com as consequências administrativas e judiciais sofridas, o influencer se viu num cenário muito complicado, sem ter ao menos a chance de retornar à internet e criar seus conteúdos.

Foi então que, através do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, Monark iniciou uma série de negociações com a plataforma canadense Rumble, uma rede social parecida com o YouTube – mas que procura se diferenciar com a promessa de respeito à liberdade de expressão.

Em declaração à nossa equipe, Monark revelou que foi contratado pelo Rumble, e que a empresa pretende operar e investir no Brasil. A partir desta segunda-feira (4), ele estreia seu novo podcast na plataforma que possui cerca de 40 milhões de usuários ativos.

O podcast ‘Monark Talks’ será exibido de três a cinco vezes por semana. A íntegra será transmitida no Rumble, mas os cortes poderão ser publicados em todas as outras redes sociais.

“Foi injusto o que aconteceu. O ‘Flow’ continuou sendo punido mesmo depois de eu ter saído de lá. […] Isso só prova o quanto as Big Techs detêm um monopólio, e estão cagando para a sua voz e para o correto”, afirma, ao defender a proposta da nova plataforma.

”No Brasil, o cara faz uma canetada e bloqueia o Telegram para milhões de pessoas, pela desculpa de fake news. Como se no YouTube não tivesse fake news, como se em qualquer outro lugar não tivesse fake news. […] É só mais um jeito de criarem ferramentas de controle para tirarem as vozes que são impactantes ao próprio poder deles”, acrescenta, ao comentar sobre autoridades que cerceiam a liberdade de expressão.

Estreia marcada

no ar, a primeira entrevista de Monark em seu novo podcast será com o youtuber Venom Extreme, que possui um canal com quase 7 milhões de inscritos e cerca de 1 bilhão de visualizações.

Mesmo com seu projeto ainda em fase inicial, Monark contou à nossa equipe que o contrato junto ao Rumble lhe garante uma quantia financeira ‘muito boa’. Mesmo assim, afirma querer buscar patrocinadores, desde que sejam empresas alinhadas à ideia de livre expressão.

“Eu quero buscar patrocinadores, mas que eles comprem essa visão de liberdade de expressão que eu tenho. […] Essa é uma briga que as pessoas estão percebendo. Tem o time da galera que censura, que acha a censura algo positivo, mas tem o time pró-liberdade, que é um time forte e vai crescer. […] As marcas que se posicionarem a favor desse time [da liberdade] irão crescer junto com essa onda”, defende.

“O brasileiro está cansado de censura. […] Todo youtuber reclama, o público enxerga. E, na minha opinião, isso vai trazer para o Rumble uma força competitiva muito boa”, vislumbra.

“Meu novo podcast vai ser quase todos os dias, com vários convidados diferentes, vamos continuar tendo a discussão. […] Só não vou beber tanto. Eu prometi a mim mesmo que estou proibido de ficar bêbado no meu podcast. Não dá muito certo [risos]”, finaliza.

Rumble

A interface do Rumble, de certa forma, lembra a do concorrente, com reproduções em destaque por meio de imagens e títulos. No entanto, há uma organização mais intencional de conteúdos, focando em tópicos específicos, como notícias, entretenimento, podcasts, ciência e esportes.

Fora do Brasil, o Rumble até ganhou o apelido de ‘YouTube liberal’, em razão de sua proposta de não interferir de forma subjetiva em conteúdos nem perseguir determinadas visões de mundo.

Um dos nomes de maior relevância na rede social é o republicano Donald Trump. Na plataforma, o ex-presidente americano publica vídeos todas as semanas, focando em ampliar o contato com seus simpatizantes e eleitores. Seu filho, Donald Trump Jr., também publica conteúdos no mesmo sentido

Para ter acesso ao canal de Bruno Aiub, o Monark, no Rumble, clique aqui. Para ter acesso ao primeiro programa, que já está no ar, clique aqui.

Logotipo da plataforma canadense Rumble, que propõe a defesa da liberdade de expressão. | Imagem: Divulgação

 

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Judiciário

Decisão foi tomada pela juíza Débora Sarmento, do Rio, a pedido da Federação Israelita.

Política

Criador de conteúdo e fundador do 'Flow Podcast' comemorou medida de Bolsonaro.

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