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Gestora alvo da PF por suposto elo com PCC patrocina programação produzida por empresa de ex-jornalista da Globo

Investigada na Operação Carbono Oculto, a REAG Investimentos financia conteúdo sobre economia e mercado produzido pelo Canal MyNews, que tem entre os nomes ligados a ele a jornalista Mara Luquet.

Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo

Entre os alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Federal, está a REAG Investimentos, uma das maiores gestoras independentes do país, com atuação em diversos segmentos do mercado financeiro. A empresa, listada na B3 e com foco em gestão de recursos e patrimônio, patrocina uma programação sobre economia que é produzida pelo Canal MyNews, comandado por jornalistas, entre eles Mara Luquet, que atuou por anos na TV Globo e Grupo Globo.

O programa é apresentado por Denise Campos de Toledo e conta com participações da própria Mara Luquet, além de outros nomes como Deysi Cioccari e Marcelo Fonseca. Apesar de a produção ser feita pelo MyNews, a publicação evita afirmar que o conteúdo pertence editorialmente ao canal, sugerindo uma parceria por contrato de produção, nos moldes do que ocorre quando produtoras independentes assumem a execução de projetos para marcas privadas.

O vídeo da série é publicado semanalmente no YouTube, em uma playlist específica no canal do MyNews, e também está disponível nas plataformas de áudio como o Spotify.

A REAG Investimentos foi alvo de mandados de busca na manhã desta quinta-feira. Agentes da PF estiveram na sede da empresa, localizada na alameda Gabriel Monteiro, zona oeste de São Paulo, e também em outros escritórios na avenida Faria Lima, centro financeiro da capital paulista.

A força-tarefa apura a utilização de cerca de 40 fundos para suposto envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital). A operação, considerada a maior do tipo já realizada pela Receita Federal, mobilizou 1.400 agentes em oito estados.

Fundada em 2012 por João Carlos Mansur, a REAG vive um período de expansão, com sucessivas aquisições e entrada em novos setores. A gestora adquiriu a plataforma GetNinjas por meio de um IPO reverso, rebatizou uma de suas subsidiárias como Ciabrasf e ampliou sua atuação em serviços fiduciários. O grupo também patrocina o tradicional Cine Belas Artes, em São Paulo.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) chegou a abrir um processo contra a REAG por suposta omissão de informação durante a aquisição da GetNinjas, questionando a falta de transparência quanto à real intenção da compra.

O portfólio do grupo inclui ainda empresas como Empírica Investimentos, Rapier, Quadrante, Quasar, Hieron e Berkana, que atuam em áreas como crédito estruturado, multimercado, ativos líquidos e private equity.

A REAG confirmou ter sido alvo da operação e afirmou, em nota, que está colaborando com as investigações.