O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, durante discurso na Conferência de Segurança de Munique, que ocorre até domingo (15) na cidade alemã, criticou os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que enfatizou a necessidade de cooperação com Washington no combate a inimigos em comum.

Em declarações à CNN, Merz declarou que “uma divisão se abriu entre a Europa e os Estados Unidos”, em meio às tensões ocasionadas pela proposta do presidente americano, Donald Trump, de anexar a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca.

O chanceler reforçou que “a pretensão dos Estados Unidos à liderança [mundial] foi contestada e possivelmente perdida”, em um dos trechos mais incisivos de sua fala.

Merz ainda destacou que “as guerras culturais do MAGA nos EUA não são nossas”, mencionando a sigla em inglês que significa Faça a América Grande Novamente, associada a Trump e seus apoiadores.

Além disso, ele abordou a questão da liberdade de expressão na Alemanha, afirmando que esta “termina onde as palavras são dirigidas contra a dignidade humana e nossos princípios fundamentais”, em alusão às divergências com os EUA sobre regulamentações de redes sociais na Europa.

A importância da colaboração entre Europa e Estados Unidos

Merz adotou um tom mais conciliador ao ressaltar que Washington também necessita do apoio europeu. “Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão fortes o suficiente para seguir sozinhos”, argumentou. “Caros amigos, fazer parte da Otan não é apenas uma vantagem competitiva para a Europa, mas também para os Estados Unidos.”

Em janeiro, Trump anunciou a aplicação de tarifas sobre importações de oito países europeus, incluindo a Alemanha, que se opõem à sua proposta de anexação da Groenlândia.

Em seguida, Trump informou que a administração americana e a Otan haviam estabelecido a “estrutura” de um acordo em relação à Groenlândia, sem, porém, fornecer detalhes sobre esse compromisso.

Como resultado, o republicano decidiu suspender as tarifas que estavam previstas para entrar em vigor em fevereiro. A União Europeia também adiou, por enquanto, os planos para uma “bazuca comercial” em resposta às ações de Washington.