Javier Milei
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Após mais de 16 horas de discussão, o Senado da Argentina aprovou na madrugada desta quinta-feira (12) a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. A iniciativa altera as condições de trabalho em um país com alto nível de sindicalização.

A aprovação se deu com 42 votos a favor, 30 contra e nenhuma abstenção. O projeto agora seguirá de forma rápida para a Câmara dos Deputados, onde o partido governista terá a chance de promulgar a primeira legislação sobre o tema, após várias tentativas frustradas nas últimas décadas.

A secretária-geral da presidência e irmã do presidente, Karina Milei, assim como o chefe de Gabinete de Ministros, Manuel Adorni, ambos considerados de confiança do governante, acompanharam a votação diretamente do Senado.

Após a votação, Milei publicou na rede social X: “Histórico, VLLC (Viva la libertar, c*****)”, referindo-se ao slogan de sua campanha presidencial.

Os senadores agora precisarão votar individualmente cada um dos 26 capítulos que compõem o projeto, etapa que pode resultar em alterações no texto. Após essas mudanças, a proposta será enviada à Câmara dos Deputados para novas discussões.

O governo tem como meta que a reforma trabalhista seja aprovada antes de 1º de março, data em que se inicia o período ordinário do Congresso e Milei deve fazer um discurso à nação. O debate e as votações ocorrem atualmente em sessões extraordinárias.

A aprovação no Senado representa a primeira conquista do partido A Liberdade Avança (LLA), de Milei, no Congresso em 2026, e reflete o bom resultado obtido nas eleições legislativas de outubro do ano anterior, quando o partido ampliou significativamente sua representação nas duas casas do Congresso.

Com o apoio da União Cívica Radical (UCR, centro-direita) e do Proposta Republicana (PRO, direita) – liderado pelo ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019) – além de blocos federais, o LLA obteve o quórum necessário com o apoio de 38 senadores para iniciar a sessão da quarta-feira.

O projeto chegou ao Senado após diversas modificações acordadas até o último momento, resultado de negociações entre o governo e os governadores provinciais, cujos representantes também manifestaram apoio à medida.

Na quarta-feira à tarde, enquanto a reforma trabalhista era debatida no Senado, a Praça do Congresso em Buenos Aires e ruas próximas foram palco de confrontos entre manifestantes contrários à reforma e as forças de segurança, resultando em feridos e detenções.