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Judiciário

Alvo de operação da PF, Ciro alega perseguição de Bolsonaro e fala em ‘Estado policial’

Pré-candidato do PDT usou redes sociais para negar a acusação de fazer parte de esquema.

Marcelo Camargo | Agência Brasil

Conforme noticiado pelo Conexão Política, o pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PDT, Ciro Gomes, e seu irmão, o ex-governador do Ceará e atual senador, Cid Gomes, foram alvos de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (15).

No pedido da corporação enviado à Justiça Federal para fundamentar a força-tarefa, o órgão aponta os dois irmãos como integrantes de uma “associação criminosa” instalada no Governo do Ceará para favorecer empresários mediante o pagamento de propina.

Em nota, o presidenciável pedetista afirmou que “o braço do estado policialesco de Bolsonaro” se levantou contra ele. “Não tenho dúvida de que esta ação tão tardia e despropositada tem o objetivo claro de tentar criar danos à minha pré-candidatura à Presidência da República”, escreveu.

No comunicado, Ciro disse nunca ter se sentido um cidadão acima da lei, “mas não posso aceitar passivamente ser tratado como um subcidadão abaixo da lei. […] Ninguém vai calar a minha voz”, acrescentou.

Ele também negou fazer parte de um esquema de fraudes decorrentes de procedimento de licitação para obras na Arena Castelão, em Fortaleza (CE). “O Brasil todo sabe que o Castelão foi o estádio da Copa com maior concorrência, o primeiro a ser entregue e o mais barato construído para Copas do Mundo desde 2002”, alegou.

Cid Gomes, por sua vez, foi no mesmo tom adotado pelo irmão. “Uma molecagem. Com claros objetivos politiqueiros de desgastar a imagem do Ciro, de desgastar a nossa imagem, para que isso possa servir ao interesse nacional do moleque Bolsonaro”, declarou o senador.

Íntegra da nota de Ciro Gomes

“Até esta manhã, eu imaginava que vivíamos, mesmo com todas imperfeições, em um país democrático. Mas depois da Polícia Federal subordinada a Bolsonaro, com ordem judicial abusiva de busca e apreensão, ter vindo à minha casa, não tenho mais dúvida de que Bolsonaro transformou o Brasil num Estado Policial que se oculta sob falsa capa de legalidade.

“O pretexto era de recolher supostas provas de um suposto esquema de favorecimento a uma empresa na licitação das obras do Estádio do Castelão para a Copa do Mundo de 2014. Chega a ser pitoresco. O Brasil todo sabe que o Castelão foi o estádio da Copa com maior concorrência, o primeiro a ser entregue e o mais barato construído para Copas do Mundo desde 2002. Ou seja, foi o estádio mais econômico e transparente já feito para a Copa do Mundo. Mas não é isso. E sejamos claros. Não tenho nenhuma ligação com os supostos fatos apurados. Não exerci nenhum cargo público relacionados com eles. Nunca mantive nenhum tipo de contato com os delatores. O que, aliás, o próprio delator reconhece quando diz que NUNCA me encontrou.

“Tenho 40 anos de vida pública e nunca fui acusado nem processado por corrupção. Não tenho dúvida de que esta ação tão tardia e despropositada tem o objetivo claro de tentar criar danos à minha pré-candidatura à Presidência da República. Da mesma forma tentaram 15 dias antes do primeiro turno da eleição de 2018. O braço do estado policialesco de Bolsonaro, que trata opositores como inimigos a serem destruídos fisicamente, levanta-se novamente contra mim. Não tenho dúvida de que esta ação tão tardia e despropositada tem o objetivo claro de tentar me intimidar e deter as denúncias que faço todo dia contra esse governo que está dilapidando nosso patrimônio público com esquemas de corrupção de escala inédita.

“Nunca me senti um cidadão acima da lei, mas não posso aceitar passivamente ser tratado como um subcidadão abaixo da lei. Sou um homem do embate, do combate e do Direito. Essa história não ficará assim. Vou até as últimas consequências legais para processar aqueles que tentam me atacar. Meus inimigos nunca me intimidaram e nunca me intimidarão. NINGUÉM VAI CALAR A MINHA VOZ.”

 

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FALE COMIGO: marcos@conexaopolitica.com.br — editor-chefe do Conexão Política e natural de Campo Grande (MS).

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