Brasília (DF), 29/05/2023 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 29/05/2023 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo da China declarou nesta segunda-feira (5) que está “acompanhando de perto” os desdobramentos da situação na Venezuela, após a operação militar realizada pelos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro (PSUV) e de sua esposa, Cilia Flores. A manifestação foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, durante coletiva de imprensa.

Jian afirmou que Pequim ficou “chocada” com os acontecimentos do fim de semana e voltou a criticar duramente a ação americana, classificada como “clara violação das leis internacionais”. Ele reiterou o pedido feito no domingo (4) pela libertação imediata de Maduro e de sua esposa.

Questionado sobre a possibilidade de a China liderar alguma proposta formal na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, marcada para esta segunda-feira (5), o porta-voz afirmou que o país pretende “trabalhar junto com a comunidade internacional”, sem detalhar se adotará postura ativa no encontro.

Ainda durante a coletiva, Jian foi questionado sobre a visita do enviado especial da China para Assuntos da América Latina e do Caribe, Qiu Xiaoqi, que esteve com Maduro no Palácio de Miraflores poucas horas antes da operação militar dos Estados Unidos. O porta-voz minimizou a coincidência temporal, afirmando que se tratava de uma “visita de rotina”, e que “é o seu trabalho visitar países da América Latina para estreitar laços de amizade”.

Jian informou que, até o momento, não há registro de cidadãos chineses feridos ou afetados pelos bombardeios conduzidos pelos EUA em território venezuelano, tampouco integrantes da comitiva de Xiaoqi foram atingidos.

Ao ser perguntado sobre a natureza da relação entre os dois países, o porta-voz evitou classificar a Venezuela como uma aliada e reiterou que a China mantém “parceiros e não aliados”. Segundo ele, a política externa chinesa para a América Latina se baseia na “não interferência em assuntos internos”.

“A política da China em relação à América Latina e aos países do Caribe é consistente e estável”, afirmou. “Mesmo que a situação política na Venezuela mude, a China está comprometida em avançar na cooperação entre os países em diversos setores.”