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Política

Pré-candidato a deputado federal, Erlan Bastos diz ser alvo de ameaças de morte

Em entrevista exclusiva ao Conexão Política, apresentador do Balanço Geral Ceará garante que manterá seu nome na disputa.

Josean Ramos | Arquivo Pessoal | Erlan Bastos

O apresentador do Balanço Geral no estado do Ceará, Erlan Bastos, confirmou ao Conexão Política que se filiou ao partido Republicanos para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de outubro.

Ainda em exercício na profissão, o âncora deve se afastar das funções jornalísticas no dia 30 de junho e, a partir do desligamento, estará apto a cumprir o período de campanha oficial, que terá início em agosto.

Aos 29 anos, o comunicador acumula um histórico de sucesso à frente da televisão. Conhecido do público desde 2018, período em que criava conteúdos para a internet, Erlan viu seu nome despontar ao longo dos últimos anos.

Já em evidência, foi contratado pela TV Cidade, afiliada à Record TV no Ceará, emissora na qual segue trabalhando, sob o comando do Balanço Geral, que é um dos programas de maior sucesso entre os canais abertos da região.

Ameaças de morte

Desde que ventilou a possibilidade de se candidatar à Câmara Federal, Erlan Bastos diz ter recebido uma série de ameaças de morte. Segundo o jornalista, as investidas são reflexos de uma oposição ferrenha que ele exerce contra o cenário de violência no Ceará.

“Não tenho medo, [pois] não faço nada de errado. Eu só trabalho. Já identificamos 7 pessoas que estavam por trás de algumas ameaças e todas eram menores de idade”, afirmou.

“Minha família e eu sempre andamos com segurança reforçada. A gente nunca pode subestimar”, acrescentou, frisando que não desistirá da disputa eleitoral deste ano.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao Conexão Política nesta segunda-feira, 23 de maio de 2022.

Eleições no Nordeste

CP: A região Nordeste é conhecida por ter parlamentares que possuem um histórico com grandes oligarquias e figuras antigas do segmento político. Apesar de essas candidaturas expressarem grande quantidade de votos nas urnas, são candidatos tidos como inexpressivos, no sentido de não atuarem de fato em pautas que geram mudança na vida das pessoas, que atendam ao que elas precisam no dia a dia. Se eleito, como será o seu desempenho em Brasília?

EB: Acho que a minha grande vantagem de entrar na vida política é justamente não ter políticos ou ‘padrinhos’ me apoiando. Meu apoio é popular, é das ruas. [Ao apresentar] o Balanço Geral, a gente viu que muitas coisas podem ser resolvidas com uma mínima atenção política. Muita gente ‘demoniza’ político e nem julgo por isso, mas a política tem lado bom, muito bom. Nossas leis fazem tudo, menos ‘justiça’. Não posso ainda falar do que pretendo fazer, porque a lei eleitoral não permite.

Esquerda ou direita

CP: Você espera contar com a alta popularidade de seu nome para conseguir ser eleito. Uma recente pesquisa do Senado Federal aponta que há mais eleitores que se identificam com o espectro político de direita do que de esquerda. Como você se classifica neste segmento?

EB: Eu luto contra esse seguimento de divisão entre esquerda e direita. Essa divisão política só atrapalha quem realmente interessa: a população. Tenho ideias que flertam com ambos os lados. Se Bolsonaro for eleito, vou ter que bater na porta dele para pedir recursos ao meu estado. Se Lula for eleito, terei que fazer a mesma coisa. As “brigas” tem que ser só durante eleição. Depois dela, independentemente de direita ou esquerda, não tem que haver “ódio”. Só quem perde com isso, repito, é a população.

Pautas de costumes

CP: Semelhante ao ponto anterior, temos visto um grande embate entre direita e esquerda sobre pautas consideradas “de costumes”. Bandeiras deste reduto envolvem questões como ideologia de gênero, aborto, drogas, etc. Qual sua visão pessoal e política sobre esses pontos?

EB: Sobre o aborto acho que, por ser homem, nem cabe a mim entrar neste tipo de política. Esse é local de fala totalmente da mulher. Mas defendo o aborto em caso de violência sexual. Sobre ideologia, ninguém deve ser atacado, ofendido ou diminuindo pela orientação sexual. Na Bíblia está escrito “ame o seu próximo como a si mesmo”, não diz “amai o hétero”. A Bíblia diz, por diversas vezes, que não devemos julgar o próximo e, infelizmente, muitos políticos usam a religião para justificar o ódio descabido.

Armamento civil

CP: Você cita ameaças em torno de seu nome, especialmente após anunciar a pré-candidatura. O estado do Ceará é um dos mais violentos do país, segundo levantamentos recentes. A Segurança Pública será uma de suas principais bandeiras caso venha ser eleito? O que você pensa sobre o armamento civil? Em caso de vitória nas urnas, entraria na briga para que essa pauta seguisse adiante?

EB: Sou a favor do armamento com regras. O que não gosto nesse discurso do armamento é que parece que querem tirar das costas o dever de proteger a população. Isso é errado. Segurança pública não se resolve só armando a população. E o cidadão que não tem condições de comprar uma arma, que não é algo barato, fica como? Os policiais têm que ser valorizados de forma efetiva e equipados. Muitos dão a vida para proteger a sociedade e têm salários ridículos pelo perigo que vivem.

STF e Liberdade de Expressão

CP: O Brasil atravessa um cenário delicado no tocante à liberdade de expressão. O Supremo Tribunal Federal tem tomado medidas que, na visão de muitos especialistas, violam pilares fundamentais da Constituição e do Estado Democrático de Direito. Você, como comunicador, deve saber bem a importância da livre manifestação do pensamento para o bom funcionamento do exercício da profissão. A Constituição também garante a livre manifestação do pensamento e da liberdade, amparando o cidadão e a livre condução de ações e palavras, desde que inseridas nos limites legais. No entanto, algumas decisões recentes da Suprema Corte colocam em xeque esse entendimento. O jurista Ives Gandra Martins, considerado um dos maiores do país, classificou os episódios relacionados a este assunto como ‘mordaça’ e ‘atentado à democracia’. O ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello chamou a investigação das chamadas fake news de ‘inquérito do fim do mundo’. Há, atualmente, dois grandes grupos no Congresso: os que estão de acordo com as ações do Judiciário e aqueles que estão contrários. Caso eleito, qual lado você pretende assumir neste embate? Você acredita que a liberdade de expressão deve ser respeitada?

EB: Antes de existir sociedade, a gente vivia num mundo primitivo, não havia regras. A sociedade virou sociedade justamente em regras de convívio. Se eu ofender sua mãe, por exemplo, por você postar alguma matéria que eu não goste, seria liberdade de expressão? Não. Tem gente que comete crimes, ofensas e injúrias e se escondem atrás da “liberdade de expressão”. Acompanhei a fundo tudo isso. Ninguém foi preso por “opinião” — foi por ameaças à democracia. Quem não acredita no processo eleitoral, que não dispute a eleição. Querem fazer aqui como tentaram fazer nos Estados Unidos. Não dará certo. A grande população não apoia.

CP: Então você considera que as ações do Supremo estão de acordo com o processo legal, dentro dos pilares definidos na Constituição. Certo?

EB: Sim, quando a regra do jogo não está do jeito que você quer, você não pode virar tabuleiro.

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