Foto: Reprodução/X
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Heloisa de Carvalho Martin Arribas, filha do escritor Olavo de Carvalho, foi encontrada morta na noite desta quarta-feira (7) em sua residência em Atibaia, interior de São Paulo. As informações são da Revista Fórum. O corpo foi localizado por um amigo, que acionou a Polícia Civil. Os agentes chegaram ao local às 22h52 e permaneceram até cerca de 2h da manhã desta quinta-feira (8).

Segundo o boletim de ocorrência, Heloisa estava deitada na cama, em decúbito dorsal. Ao lado havia um copo com líquido alaranjado. Na cozinha, os policiais registraram a existência de uma lata de cerveja aberta, duas garrafas de bebida vazias e uma garrafa de água com resquícios de uma substância branca. Também foram encontrados dois frascos vazios de Epilenil, medicamento anticonvulsivante cujo princípio ativo é o valproato de sódio, além do antifúngico Nistatina, pela metade.

O documento informa ainda que Heloisa havia sido atendida no dia anterior com suspeita de intoxicação por medicamentos e recebeu alta após avaliação. A polícia trabalha inicialmente com hipótese de suicídio, mas a confirmação dependerá do laudo necroscópico e das demais investigações conduzidas pela perícia.

Briga familiar

Heloisa era conhecida por divergências públicas com o pai e por disputas judiciais relacionadas ao espólio do escritor. Em dezembro, ela comentou ter sido excluída do testamento deixado por Olavo, afirmando ao portal Fórum que “já esperava” pela decisão e que isso não impactaria sua situação financeira. Apesar da exclusão, ela mencionou que a legislação brasileira sobre direitos autorais e recebimentos de royalties poderia lhe garantir participação no inventário. Também afirmou que o seguro de vida do escritor a teria como beneficiária, segundo declarou à época.

Histórico de atritos e denúncias

Heloisa chegou a ser alvo de queixa-crime movida pelo escritor em 2017, posteriormente arquivada. Ela também colaborou com o Ministério Público no caso que levou à prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em junho de 2020. Heloisa afirmou ter repassado informações sobre o paradeiro de Queiroz em Atibaia, em imóvel ligado ao advogado Frederick Wassef.

À época, ela e o amigo Bruno Maia divulgaram registros da residência e relataram aos MPs de São Paulo e do Rio de Janeiro as suspeitas sobre o local. Após a prisão, ambos publicaram uma comemoração simbólica, associada às investigações do suposto esquema de “rachadinha” envolvendo o gabinete de Flávio Bolsonaro.

Substâncias encontradas no local

A Polícia Civil conduz agora a análise de substâncias encontradas na residência e aguarda laudos toxicológicos. O inquérito deverá avaliar histórico clínico, medicamentos utilizados e possíveis interações. A equipe responsável também investiga a cronologia dos atendimentos médicos feitos no dia anterior.

A confirmação das causas da morte depende da conclusão da necrópsia realizada pelo Instituto Médico-Legal (IML). A polícia trabalha com múltiplas linhas de apuração e, por ora, não descarta nenhuma hipótese.